Negócios da floresta geram oportunidades a empreendedores

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Com o objetivo de apontar novos caminhos para o desenvolvimento local do mercado sustentável, a Associação Zagaia Amazônia em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) realizou nesse fim de semana o Workshop “Diálogos Criativos: negócios sustentáveis na Amazônia”, no auditório da FAS, no bairro Parque Dez, na zona Centro-sul de Manaus.

O evento buscou mostrar para empreendedores e empresários, por meio de experiências bem sucedidas, o que está acontecendo no cenário nacional e internacional em relação à biodiversidade que só a Amazônia possui.

Para a presidente da Associação, Rozana Trilha, a maior finalidade do workshop é criar um diálogo entre esses empreendedores da floresta e os empresários para que eles percebam que existem possibilidades de negócios na região.

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“Não é uma busca de recursos em si, e sim mostrar para eles que essas possibilidades são viáveis e reais, fazer com que eles enxerguem que empresas já realizam um negócio sustentável e que eles podem daqui a pouco até comercializar para essas empresas”, explicou Rozana.

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O evento contou com o apoio da Secretaria Municipal de Trabalho e Desenvolvimento (Semtrad), Fundo Newton, British Council, Sebrae, Bradesco, Fundo Amazônia, SAP, Apoiar e Restaurante Caxiri. O evento abordou três eixos temáticos: “Mercado e Inovação”, “Artesanato e Moda” e “Gastronomia e Turismo”.

 

Experiência

Um dos palestrantes do encontro foi o empresário, Paulo Amaury Costa, da empresa Nova Kaeru, que é especializada no Setor de Couros Exóticos Brasileiros. Especificamente para o workshop, o empresário levou aos participantes a experiência com a fabricação de curtume da pele do pirarucu, com o qual segundo ele a Nova Kaeru trabalha há cinco anos.

“Trabalhamos com curtume de peles especiais e hoje viemos trazer um pouco da nossa história, que é a história da introdução de um couro, de uma pele que antes era jogada fora ou apenas consumida juto com a carne. Hoje com muito esforço dentro de uma cadeia produtiva, conseguimos colocar esse couro no mercado internacional como um couro de qualidade e especial posicionando ele entre os mais valorizados no Brasil e no mundo”, destacou Paulo.

O empresário ressaltou que não há venda em grande quantidade, mas explica que o motivo pelo qual o trabalho da Kaeru é importante para a região Amazônica é o fato de manter o pirarucu como um couro que merece ser, devido sua história e todo o conceito de sustentabilidade que carrega por ser um peixe da Amazônia e que está vinculado à alimentação, ao contrário de outras peles exóticas, que são criadas somente com esse propósito.

“O couro do peixe era mal visto no exterior, especialmente por causa do cheiro, além de ser difícil fazer um couro de peixe por causa da gordura e as pessoas já estão predispostas a achar que o couro fede e a mudança em relação a isso vem sendo uma vitória cultural nesses anos de exposição do produto”, salientou o empresário.

A Kaeru trabalha com curtume, que é a transformação de uma pele em couro e o produto é vendido para a confecção de bolsas, sapatos e acessórios em geral. O curtume da empresa é um dos primeiros curtumes orgânicos do mundo e é totalmente biodegradável.

 

Artesanato

Outra palestrante do workshop foi a idealizadora do Projeto ‘Sentir a Amazônia em Portugal’, Lau Zanchi, que partilhou com os empreendedores as experiências do Projeto criado por ela em parceria com uma Universidade de Lisboa.

De acordo com Lau, o projeto é social, ecológico e criativo e reúne iniciativas, que podem ser encontradas apenas na Amazônia, especificamente as matérias primas usadas no artesanato. “As pessoas têm uma visão estereotipada da nossa região, porque não sabem o que se passa aqui e o projeto tem essa finalidade de fazer com que sintam a Amazônia em todos os sentidos, os cheiros, gostos e muito mais”, destacou a palestrante.

Ainda segundo Zanchi, a experiência que o projeto itinerante leva em Lisboa muda a forma como as pessoas olham para a Amazônia. Ela conta que por meio do projeto as pessoas passam a conhecer a cadeia produtiva de tudo que está por trás do artesanato e mudam a visão superficial que possuíam.

“Infelizmente o artesanato ainda é muito desvalorizado por causa da Ásia, que leva tudo muito barato e nosso papel é contextualizar, levar um pouco da história para que ele seja mais valorizado”, concluiu Lau.

Mario Dantas