INTELIGÊNCIA E MARKETING POLÍTICO

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Ademir-Ramos

O processo eleitoral mobiliza múltiplas forças para operar o sistema regrado por legislação especifica coordenado por agentes qualificados à frente da Justiça eleitoral. Na ponta deste processo estão os candidatos e assessorias com a sua inteligência política a projetar, planejar e executar analise de conjuntura em suas interfases para melhor definir estratégias e táticas eleitorais com objetivo de garantir nas urnas os louros da vitória. As eleições enquanto fenômeno de massa tem sido objeto de marketing político, tratando os candidatos como produto e o eleitor como se fosse um consumidor às vezes exigente outras vezes deixando-se seduzir pala aparência das embalagens. Neste contexto, as eleições transformam-se num espetáculo midiático dominado pelo brilho dos meios de comunicação a ofuscar cada vez mais a realidade objetiva das coisas, suscitando no eleitor não mais a consciência e muito menos a identificação com o candidato pactuado no compromisso e na mútua responsabilidade. Desta feita, o eleitor, assim como o candidato, encontra-se divorciado de suas relações concretas impossibilitados de analisar o movimento do pensamento por ter sido arrebatado pelo circulo de encantamento midiático caracterizado pela virtualização tal como a construção de uma representação conceitual que não corresponde aos fatos, reduzindo o eleitor a condição de mero receptor, negando-lhe o direito de se manifestar como protagonista do processo eleitoral.

INTELIGÊNCIA POLÍTICA: O movimento deste processo resulta da capacidade do candidato ou de seus assessores de pensar a eleição não como uma coisa dada, mas enquanto construção contextual a ser concebida na sua totalidade qualificando suas mediações de acordo com o processo em formação. Para isto é importante que tanto o candidato como seus assessores e especialistas inteirem-se das regras do jogo e sejam capazes de projetar cenários não só local como também nacional e às vezes internacional encarando estas representações como desafios a serem superados no processo em disputa. A inteligência, neste contexto, além de ordenar unitariamente a prática do candidato e de seus assessores define também uma direção moral e política na perspectiva de assegurar os meios necessários, estando de acordo com a disponibilidade dos recursos financeiros alocados no processo. Na prática trata-se de organizar, planejar e jogar com competência e habilidade a arte da política contemplando tanto o público como o privado. Além de se definir as ações estruturantes do processo eleitoral, a inteligência agrega também determinados campos afins que são necessários para sustentação de uma plataforma eleitoral vitoriosa. Destacam-se aqui o amparo dos Operadores do Direito, Da assessoria de comunicação e das mídias sociais, Dos agentes de mobilização de rua, Os articuladores e captadores de recurso e outros agentes que participam diretamente desta teia organizacional com início, meio e fim.

VITÓRIA DO ARTHUR: A aliança que o Prefeito Arthur Neto (PSDB) celebrou com Eduardo Braga (PMDB) para selar sua candidatura a Prefeitura de Manaus provocou um tsunami no meio político local, realinhando os partidos e as demais candidaturas para o embate das urnas contra a reeleição do Prefeito Arthur Neto.  A inteligência política do Arthur sobre o processo eleitoral foi muito além das disputas paroquiais tanto que o resultado das urnas confirmou sua avaliação consagrando o PSDB e o PMDB como os partidos vitoriosos em nível local e nacional. Outro fator relevante foi o marketing político, que em vez de determinar o que fazer e como fazer de forma independente passou a ser parte integrante do processo organizacional sob a direção da inteligência do candidato e de seus assessores garantindo-lhes desta forma a vitória.     

Mario Dantas