COMO VENCER A MORTE

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A insegurança e o medo tem sido a marca dos tempos presentes. Esses fenômenos estão estritamente relacionados a provocar nas pessoas comportamentos que muitas vezes se traduzem na impotência, negando a capacidade de operar tanto na família como em sociedade. Quando isso ocorre somos expropriados da nossa vontade, dos nossos Direitos, vivendo mais para a morte do que para vida. O mais grave de tudo é saber que não se trata de fenômenos naturais e muito menos “dos fins dos tempos”. Essas manifestações são fabricadas para controle e domínio, redirecionando as pessoas para o consumo de bens materiais e imateriais na certeza de alcançar segurança e paz.

Esse mal-estar-social faz com que o mercado, assim como a religião e o Estado (a política), apresentem-se como bálsamo capaz de solucionar a dor, angustia e a ansiedade vendendo segurança e felicidade em atenção àquelas pessoas que buscam respostas desconectadas da vida em sociedade, às vezes, movidas pela dor da própria solidão, tornando-se prisioneira de um passado luminoso frente ao presente e o futuro arrebatador sem lutas e utopias conduzidas ao leito da morte a maldizer de si e do mundo.

A SOMBRA DA MORTE: O fato é que o homem é o único animal do reino que tem consciência de sua temporalidade. Não pede para nascer, mas sabe que a morte é uma certeza que o persegue. Por esta razão, depois de expulso do útero materno, a família e a sociedade representam, sem dúvida alguma, o mundo de suas relações mediado pelo trabalho como fonte de transformação e domínio da natureza.

Dessa forma vive o grande embate frente à natureza seguido de um aprendizado social, a saber, que a sua força isolada – desconectada socialmente – não basta para vencer as intempéries e muito menos os males que o aflige. Sendo assim, o trabalho ganha forma, podendo se transformar em fonte de vida ou morte para aqueles que se encontram inseridos em determinados processos, quase sempre, marcados pela desigualdade, exploração e exclusão social.

Nesse contexto, o homem na condição de trabalhador (a) ou de proprietário dos meios de produção tornam-se cumplices, visto que a riqueza de um depende diretamente das condições objetivas do trabalho do outro. Esta cumplicidade se traduz em conflito, despertando nos agentes a consciência social capaz de agregar forças para lutar socialmente contra a exploração numa perspectiva inclusiva, descentralizando riqueza e poder como causa estruturante para vencer a morte, valendo-se dos meios necessários para garantir a vida, não só como princípio, mas, como forma de sustentação dos homens em sociedade vivendo de modo solidário e participativo.

VIVER PARA VENCER: Se a morte é certa temos o dever de lutar pela vida, não se deixando abater por questões que muito mais nos divide do que nos une. Nesse embate social que enfrentamos cotidianamente uma das mediações importantes que temos é a Política, enquanto relação de poder, capaz de agregar e mover forças a favor de determinado projeto pautado em razões e causas capazes de convencer as pessoas de que a vida torna-se bela quando os homens lutam e acreditam nos seus ideais e juntos buscam compartilhar com os outros, expondo e debatendo suas propostas para definir estratégias e táticas orientadas por valores e metas, superando os conflitos pessoais e sociais transformando-os em vencedores da morte, não por derrota-la, mas por se projetar no mundo como protagonista da história marcado pelas lutas sociais em defesa da vida, da liberdade e do bem-estar do seu povo como representação social e política a reclamar Direito. 

Mario Dantas