Amazonino, um legado jamais batido no Amazonas

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Março de 1983. Gilberto Mestrinho recém-empossado governador do Estado chama o então advogado Amazonino Armando Mendes ao Palácio Rio Negro. No encontro o governador faz um comunicado em forma de ultimato: “você vai ser prefeito de Manaus”. Assustado com o ultimato, Amazonino titubeia, tenta contra argumentar.

Mas Gilberto Mestrinho de fala mansa mantém-se intransigente. Após a conversa, Gilberto Mestrinho envia para aprovação da Assembleia Legislativa, a indicação de Amazonino Mendes para exercer o cargo de prefeito de Manaus, último a ser nomeado, um resquício da ditadura que fizera de Amazonino na década de 60, uma de suas vítimas.

A partir deste fato, sai de cena o advogado que fora enquanto estudante militante do Partido Comunista do Brasil juntamente com aquela que seria sua esposa e mães dos três filhos e nasce a figura política.

Os primeiros meses como prefeito de Manaus, Amazonino, um noviço na política administrativa fora acanhado, praticamente preso ao Gabinete no Paço da Liberdade, antiga sede da Prefeitura. Coube aos amigos dar-lhe injeção de ânimo e a partir daí Amazonino Mendes começa a forjar a sua história política no Amazonas.

Manaus era uma cidade que estava experimentando o crescimento desordenado resultado da Zona Franca de Manaus no âmbito industrial e comercial, com bairros totalmente desestruturados.
Amazonino começou a impor sua marca de realizador, asfaltando bairros, muitos antigos como as Compensas, Alvoradas, Coroado, resultando ao final de dois anos de mandato, no asfaltamento de 611 ruas um feito que nenhum outro prefeito de Manaus que o sucederam bateram.

Ao deixar a Prefeitura em 1984, Amazonino sai nos braços da multidão regida por Lucimar Vieira para em 1986 ser eleito para o primeiro, dos três mandatos de governador e outros dois mandatos de prefeito e senador,

Amado por muito e odiados por outros, Amazonino Mendes tem um mérito que poucos políticos amazonenses possuem: ser visionário e ousado.

Ele supera todos os demais governantes do Estado a partir da Nova República em termos de realizações durante seus mandatos na Prefeitura e Governo do Estado.

Se colocarmos um mapa do Estado do Amazonas com todas as obras executadas por todos os governantes, veríamos sem sombra de dúvida que sobressaem as realizadas por Amazonino em seus três mandatos de governador, bem como se fizéssemos o mesmo com o mapa do município de Manaus.

Amazonino tentou o quanto pode mudar o eixo econômico do Estado sempre dependente da Zona Franca. Encontrou barreiras, incompreensões e má fé.

Na área da cultura e principalmente a popular, deixou importantes legados como o Festival Folclórico de Parintins, quando decidiu ao final do festival de 1987 e uma conversa com o então prefeito Gláucio Gonçalves, disse que construiria o bumbódromo para o festival de 1988. Não só construiu e inaugurou a arena no seu primeiro mandato de governador, como no segundo mandato já na década de 90 deu todas as condições para que as disputadas dos bumbás Caprichoso e Garantido saíssem do muro de arrimo de Parintins e ganhassem o Brasil e o mundo.

Amazonino tem a marca de ser o único governador do Estado do Amazonas a restaurar (não é reformar) o nosso maior símbolo, o Teatro Amazonas, que até então era praticamente um elefante branco das lembranças da fase áurea da borracha.

Na Educação deixou a sua marca. Não se contentou em construir inúmeras escolas na capital e no interior. Cônscio da dívida que tinha para os milhares de amazonenses, principalmente os do interior, em busca de conhecimento maior, criou a Universidade do Estado do Amazonas, instituindo vários campus no interior.

Amazonino Mendes trouxe na veia o caráter empreendedor herdado de seu pai, Armando Mendes lá das barrancas do Juruá. Aqui cabem duas historinhas interessantes. Seu Armando Mendes foi um empreendedor em seu tempo ao inaugurar a primeira padaria de Eirunepé, que mereceu até destaque em um jornal impresso local. A segunda, foi o lado humano de seu Armando Mendes que enviava para Manaus, barcos lotados de passageiros portadores de hanseníase para serem tratados em Manaus como todas as despesas bancadas por ele, tratamento e viagem de ida e volta.

Muito teria que se falar de Amazonino neste 16 de novembro. Vamos deixar que a marca indelével do tempo deixe gravada.
PARABÉNS AMAZONINO MENDES!

Eduardo Gomes – Jornalista

Mario Dantas