Votos brancos e nulos podem reduzir na hora da decisão final

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O segundo turno das eleições suplementares deste domingo aponta para um universo de 21,8% dos eleitores que vão optar pelo voto branco ou nulo, conforme a última pesquisa realizada pelo INSTITUTO DIÁRIO DE PESQUISA (IDP), publicada na quinta-feira. Parte do universo de 509 mil eleitores poderá reverter a decisão anterior e, na última hora, escolher um dos candidatos, tendência que ocorre na hora da decisão final, explica o coordenador da pesquisa do IDP, Edmilson de Araujo Silva, que atua no ramo há 25 anos.

“A realidade da última pesquisa do IDP em relação aos votos brancos e nulos poderá diminuir na reta final, pois esta é uma tendência do eleitor”, explica o coordenador da pesquisa, o matemático e consultor estatístico. Por outro lado, explica, se for mantido o último resultado do levantamento do IDP, vai refletir uma verdadeira insatisfação do eleitor.

A pesquisa mostra que outros 16,7% pensam em mudar o voto até o dia da eleição, um montante de 390 mil eleitores, enquanto que 4,2% ainda se mostravam indecisos nesta questão, equivalente a, aproximadamente, 98,1 mil pessoas.

Para Edmilson Silva, o fato da pesquisa mostrar que quase a metade dos eleitores (46,8%) não rejeita nenhum dos dois candidatos, também poderá influenciar na hora da decisão final.

A pesquisa do IDP, registrada na Justiça Eleitoral sob o número AM-09298/2014, foi realizada nos dias 21, 22, 23 e 24 de agosto, envolvendo diversos bairros nas 13 zonas eleitorais de Manaus e 12 zonas do interior do Estado, com um universo de 1,6 mil eleitores, sendo 1.007 na capital e 593 no interior.

O levantamento foi domiciliar, sendo entrevistado um único eleitor por domicílio. Somente foram entrevistados eleitores cujo domicílio está em um bairro que faz parte de sua zona eleitoral e que estejam aptos a votar junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Escolha

A decisão de anular o voto ou optar pelo branco é uma manifestação e um recado do eleitor, que recebe críticas e apoio.

Para o professor de Direito Eleitoral do Ciesa, Leland Barroso, é importante que o cidadão opte por um ou outro candidato. “Muitas pessoas estão desiludidas com a política, não sem razão. Por outro lado, há muita falta de informação. Eu nunca anulei meu voto, eu acho que sempre vale a pena votar, vale sempre escolher um candidato, porque, de qualquer maneira, alguém vai governar. Então, é mais vantagem que seja alguém que eu escolhi, até para me dar mais autoridade para cobrar, eu penso assim. Se o eleito não fizer um bom governo, você não o reelege na próxima eleição. Eu acho que é muito mais produtivo votar e cobrar depois”, disse.

De acordo com o professor de Antropologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, o atual sistema eleitoral concede liberdade ao eleitor. “A democracia permite este tipo de manifestação. O valor da democracia é a liberdade que permite a manifestação do voto nulo e branco. Mas isto não afeta diretamente o processo eleitoral. É importante que tenhamos consciência porque a politica não é como eu gostaria que fosse, ela é como é, e como ela é manifesta a situação concreta em que nós vivemos. Nós temos dois candidatos e temos que optar entre A ou B. Se quisermos mudar este quadro, teríamos que mudar toda a estrutura do sistema”, afirmou.

Para o advogado Helso do Carmo Ribeiro Filho, presidente da Comissão de Relações Internacionais da Seccional do Amazonas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM), a democracia sempre deve ser defendida. “A gente não pode brincar com a democracia. O Brasil ficou mais de 90% da sua vida vivendo regimes ditatoriais, então, a pior democracia é melhor que as trevas. E o problema é que a democracia representativa está com desgaste violentíssimo, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. O aumento de abstenção em eleições europeias supera os 50%, porque as pessoas não se sentem mais representadas pelos seus representantes”, avalia.

D24AM

Roberto Brasil