Videoinstalação urbana “AQUI” mostra cotidiano de travestis

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aqui-videoinstalacao-01A artista amazonense Keila Serruya apresentou neste domingo, 7, seu trabalho de videoinstalação urbana, denominada “Aqui”, no calçadão da Ponta Negra, zona Oeste de Manaua. A intervenção artística faz parte da programação da 1ª Mostra Manaus de Artes Visuais, realizada pela  Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

Com um cenário inusitado os pedestres se deparavam com cinco aparelhos televisores distribuídos pelo calçadão do Complexo da Ponta Negra. Nesses televisores, vídeos de depoimentos de transexuais e travestis, colhidos a partir do trabalho de pesquisa da artista, eram rodados, contando situações de suas vidas particulares e dificuldades do dia-a-dia.

aqui-videoinstalacao-03O projeto, que nasceu em 2010, já teve duas edições. “A primeira edição chamava “Assim” e mostrava uma transexual e uma travesti em seu cotidiano, tomando café da manhã, indo ao supermercado e até em seus momentos de oração”, explica Kelia.

aqui-videoinstalacao-04A segunda, chamado “Aqui assim”, também contava histórias de travestis e transexuais, mas com um diferencial: os próprios personagens faziam-se presentes na exposição,  interagindo com a inserção.

“O terceiro e último projeto tem uma linha mais documental, eu tiro o ficcional. Agora os personagens contam suas histórias a partir de depoimentos sobre questões pessoais e de cunho polêmico como religião, família e aceitação social”, continua Keyla. “A minha finalidade é instigar, confrontar este indivíduo que está vivenciando isso e levar esse indivíduo a uma autorreflexão”, conclui.

aqui-videoinstalacao-02Muita das pessoas que passaram pelo local pararam para observar o que o vídeo estava abordando. Foi o caso do vendedor de roupa, Rodrigo Leite, que achou interessante o assunto e a coragem dos personagens. “Hoje em dia, o mundo inteiro tem preconceito, até para arrumar emprego é difícil. Isso é legal porque faz as pessoas entenderem que todas as pessoas são iguais”, disse.

Roberto Brasil