Uso do celular tem gerado grande número de multas, segundo Manaustrans

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Chamadas recebidas ou mensagens nos aplicativos. Seja qual for o motivo, o uso do celular no trânsito é rotina entre os motoristas. Conforme dados do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans), de janeiro a novembro do ano passado foram aplicadas mais de 14 mil multas por conta da mistura do aparelho com a direção, mesmo com as mudanças rigorosas no Código Brasileiro de Trânsito (CBT), que aumentou o rigor contra esse tipo de infração.

Por conta da Lei nº 13.281, de 4 de maio do ano passado, desde 1° de novembro o uso do celular ao volante – ainda que o motorista esteja parado no semáforo – passou de grau médio para gravíssimo. Ou seja, a multa de R$ 85,13 passou para R$ 293,47 – com valor reajustado –, e os pontos na carteira de habilitação aumentaram de quatro para sete. O texto da lei registra que caracteriza-se “como infração gravíssima no caso de o condutor estar segurando ou manuseando telefone celular”.

O engenheiro João Batista* sabe bem como a lei funciona. Ele estava no viva-voz, com o celular na mão, quando foi “aclamado” com sua primeira e até agora única multa relacionada a infração. Batista* confessa ter o hábito de usar o celular enquanto dirige, principalmente para resolver questões de trabalho. “Estava falando com um membro da minha equipe no dia”, pontua. Ele ocupa o cargo de gerente de engenharia em uma empresa da cidade.

Apesar do aparelho fazer parte de sua rotina, até mesmo ao volante, ele reconhece que o uso do celular tira a atenção do motorista. Contudo, ressalta que a aplicação da multa não inibe o hábito. “Quando peguei a multa, continuei usando o celular ao dirigir. Deveria ter algum processo permitido que fosse mais seguro. É muito fácil proibir e multar. Mas qual a solução para que usemos o celular ao dirigir, só que de maneira segura?”, questiona.

Dicas

Reconhecido como uma das mais importantes instituições da área educacional ligada ao setor de trânsito e transportes, o Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte (Icetran) recomendou algumas dicas para os motoristas pouco tempo após a publicação da Lei nº 13.281.

Conforme texto do instituto, se o motorista precisar usar o celular para ligações ou troca de mensagens, a forma correta de agir, sem infringir o CBT e correr o risco de ser autuado, é estacionar o carro na próxima parada segura e só voltar a dirigir quando não precisar mais do aparelho. Outra opção é o uso da tecnologia bluetooth. “O importante é que ele permite atender a uma chamada sem precisar segurar ou mexer no celular, permitindo que o condutor mantenha a atenção na pista”, diz o texto. Vale ressaltar que não é permitido utilizar fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular, conforme o artigo 252 do CBT.

Credenciado no Ministério das Cidades, através do Departamento Nacional de Trânsito, o Icetran surgiu no ano de 1998, com sede em Florianópolis/SC. O órgão é credenciado nos Detran’s de Santa Catarina, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Punição maior

Em novembro do ano passado, a lei federal 13.281 mudou de categoria a infração para motoristas que usam celulares enquanto dirigem: a prática deixou de ser uma infração média e passou a ser gravíssima, sujeita a multa de R$ 293,47 e perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

*Nome fictício a pedido do entrevistado

(Com PORTAL A CRÍTICA)

Roberto Brasil