Uma tragédia histórica nas mãos de Cunha

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Cunha e DilmaHá um aspecto trágico na situação política brasileira. No momento em que escrevo estas linhas, o destino imediato de uma democracia conquistada com tantas dores e muitas dificuldades pode depender de um único fator. O interesse pessoal de Eduardo Cunha, deputado apanhado com R$ 23 milhões em contas secretas na Suíça, em abrir uma investigação contra Dilma Rousseff, presidente eleita com mais de 54 milhões de votos, contra a qual não se aponta o mais leve desvio de conduta.

Em função do caráter presidencialista da Câmara de Deputados, Cunha tem a prerrogativa de dar início – ou não – ao processo de impeachment. Caso resolva disparar o gatilho, como gesto à beira do abismo, cujo sacrifício inevitável se mostra cada vez mais próximo, no dia seguinte a oposição esquecerá as envergonhadas manifestações de constrangimento a respeito das denúncias contra Cunha.

Estará na rua para mobilizar seus eleitores para avançar sobre deputados e senadores para pedir a cabeça de Dilma – ou aguardar pelo troco nas próximas eleições.

O quórum qualificado de 2/3 é sempre uma garantia nessas situações. Verdade que, ao  contrário do que ocorria com Fernando Collor, nada pode ser apontado contra Dilma.  Convém recordar, contudo,  que os humores de quem depende da simpatia do eleitor se tornam volúveis em situações de tumulto político. Traições podem transformar-se em fenômeno de massa, até porque são estimuladas pelos meios de comunicação, desde já empenhados em fazer o próprio povo vender a alma para o diabo e esquecer as regras elementares da democracia.

As contas s

Roberto Brasil

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