UEA E O DESENVOLVIMENTO DO AMAZONAS

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Ademir-RamosO governador Amazonino Mendes chamou para si a responsabilidade de criar em 2001 a Universidade Estadual do Amazonas (UEA). À época, o governador falava de uma Universidade dos Trópicos Úmidos apta a conceber e formular propostas indutoras capazes de produzir ciência agregada ao conhecimento tradicional dos povos amazônicos articulados com meio ambiente, agricultura e em atenção à indústria e os seus variados segmentos produtivos. Amazonino pronunciava-se como agente visionário, almejando assegurar aos índios, caboclos, aos filhos do Amazonas e demais brasileiros, em particular aos egressos das Escolas Públicas, com atenção redobrada para juventude do interior do Estado, o acesso ao Ensino Superior.

A ordem do governador do Amazonas, inicialmente foi pensada e sistematizada por um Grupo de Trabalho (GT) sob a coordenação do Professor Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, ex-presidente do CNPq e um dos mentores do Projeto Pedagógico da FUCAPI em estreita relação com o Polo Industrial do Amazonas. Deste GT eu participei junto com os professores Moysés Nobre Leão, Randolpho Bittencourt, José Seráfico de Carvalho. Mas, quem assumiu a responsabilidade da construção da obra de fato foi o professor Lourenço Braga, que montou um bom time capaz de gestar todo processo de criação e desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico dos Cursos, que no início contou com a colaboração de técnicos e professores oriundos da Universidade Federal do Amazonas e de outros centros de formação do Brasil.

AFIRMAÇÃO DA UEA: Apesar do patrimonialismo de alguns dirigentes, a UEA se afirmou academicamente no universo da ciência no Brasil e no Mundo, vencendo “o banzeiro político provinciano” e hoje, com apenas 15 anos de criação e funcionamento, a Universidade, tendo a frente o professor Cleinaldo De Almeida Costa, vem superando os obstáculos e enfrentando novos desafios na perspectiva de assegurar o Ensino, a Pesquisa e a Extensão focada no desenvolvimento local integrada à sustentabilidade das comunidades étnicas e tradicionais, bem como a sociedade como um todo, visando o domínio e a adaptação de novas tecnologias que sirvam de ferramentas para operar os processos produtivos geradores de novos postos de trabalho, emprego, renda e tributos. Para isso faz-se necessário descomprimir o sistema, primando pela descentralização e autonomia político-pedagógica e financeiro da UEA, assegurando aos Centros e Núcleos de Estudos do interior do Estado, o pleno funcionamento assentado nos laboratórios e na formação dos trabalhadores da educação capaz de pensar, conceber e formular estratégias de políticas públicas fincadas na UEA como matriz de nosso desenvolvimento, rompendo com ações isoladas no formato de projetos e programas sem ancorar seus objetos e metas na matriz educacional como modo estruturante de um processo histórico a superar o oportunismo e o imediatismo dos aventureiros.

VENCENDO OS DESAFIOS: Recentemente, a UEA fez circular nos meios acadêmicos, a segunda edição da “UEA em Revista” e simultaneamente passou também a divulgar por meio do canal do Youtube suas pesquisas. As publicações servem para se conhecer as parcerias e acordo de cooperação que a instituição vem fazendo em direção à produção e desenvolvimento da ciência em nosso Estado, bem como a qualidade dos seus produtos. O professor Cleinaldo Costa, reitor da UEA fala de novos cursos, como é caso do doutorado em Administração firmado com a FEA/USP, assim como também “a Enfermagem com a UFSC, a Saúde Coletiva com a UERJ, a Engenharia de Produção com a COPPE/UFRJ e o projeto Go Amazon com a Universidade de Harvard, o Laboratório Ocean, parceria Sansung/UEA, e o P&D Lab, resultante da parceria com Microsoft.” Para o vice-reitor professor Mario Bessa, a importância do domínio deste campo da ciência da informação é necessário porque “o software está atualmente inserido em nossas vidas diárias. Em épocas de instabilidade de mercado, a questão financeira é uma das principais preocupações das empresas. E o software pode ser usado para conseguir essa diferenciação. O mundo hoje depende de software.”

VIDA LONGA A UEA: Nunca fui daqueles que torcia contra o sucesso da UEA ao contrário dei minha contribuição junto com outros colegas da UFAM. Por esta razão continuamos torcendo para que as Universidades Públicas se firmem com autonomia e controle financeiro, deixando de ser unidade burocrática carreirista, para ser reconhecida como agente produtora da ciência conectada com a cultura, o meio ambiente e os saberes locais, em respeito às demandas de políticas públicas capazes de responder ao desenvolvimento de nossa gente. Nesse sentido, as palavras do governador do Estado José Melo, bem que poderiam ser transformadas em política de Estado, quando em entrevista a Revista da UEA afirma que: “A UEA precisa se voltar para a produção do conhecimento relacionado àquelas atividades econômicas importantes para o estado. Precisa-se dar uma ênfase as atividades como piscicultura, farmacologia e a exploração de recursos como petróleo e gás. A Universidade, portanto, deve estar atenta às riquezas regionais. Nessas áreas, vamos preparar nossos jovens para que eles sejam agentes transformadores do futuro. Essas formações devem se dar na graduação e na pós-graduação”, enquanto isso continua atento para que as palavras do governador não sejam vazias e que se transformem em ação política e assim tenhamos a UEA como âncora do nosso desenvolvimento.

Roberto Brasil