TSE ouve delatores em processo que vai julgar chapa Dilma-Temer

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Em depoimento, Ricardo Pessoa declarou ter doado R$ 20 milhões para a reeleição de Dilma

Em depoimento, Ricardo Pessoa declarou ter doado R$ 20 milhões para a reeleição de Dilma

Delatores da Lava-Jato serão ouvidos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, nesta segunda-feira, no processo das ações que correm no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da chapa que venceu as eleições presidenciais de 2014, formada pela ex-presidente Dilma Rousseff e pelo presidente Michel Temer.

Estão previstos para hoje os depoimentos do executivo da Toyo Setal, Augusto Mendonça; o ex-consultor empresa, Júlio Camargo; o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite; o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, apontado como chefe do “clube” das empreiteiras da Lava Jato; Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, e Flávio Barra, ex-executivo da empresa.
O lobista Júlio Camargo também será ouvido.

Na sexta-feira, no Rio de Janeiro, foram ouvidos os delatores da Lava-Jato Pedro Barusco, Zwi Scornicki e Hamylton Padilha, na condição de testemunhas. Como um dos processos está sob segredo de justiça, a imprensa não pôde acompanhar a sessão, realizada no Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro. Na saída, os advogados de acusação e defesa saíram com opiniões contraditórias: para os representantes de Dilma e Temer, os depoimentos não mostraram nenhuma ilicitude no caixa da última campanha presidencial.

— Esta ação é improcedente. Ela deveria tratar dos fatos ocorridos durante as eleições de 2014, mas as testemunhas só falaram sobre o pleito anterior — argumentou Flávio Caetano, que defende Dilma Rousseff.

Durante as investigações da Lava-Jato, o empresário Zwi Scornicki afirmou ter pagado uma dívida de campanha do PT à mulher do marqueteiro João Santana, Mônica Moura, por meio de uma conta do casal na Suíça, sem que o dinheiro fosse declarado à Justiça Eleitoral. Segundo Caetano, Scornicki confirmou ter sido procurado por Mônica Moura no final de 2013, o que implica na existência de caixa dois somente na eleição de 2010, e não em 2014.

— Há quase dois anos que eles (o PSDB) tentam, mas não provam nada — disse o advogado.

José Eduardo Alckmin, um dos advogados contratados pelo PSDB, vê com outros olhos o resultado dos depoimentos realizados nesta nesta sexta-feira:

— Os fatos foram colocados, mas cada um faz a interpretação que quiser. Nós sustentamos que os recursos também chegaram a 2014.

Questionado sobre o prosseguimento da ação, já que os tucanos fazem parte da composição do governo Temer, Alckmin afirmou que as consequências políticas serão decorrentes do julgamento.

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— Ação eleitoral é como pular do décimo andar. Mesmo que alguém quisesse desistir, o processo não seria extinto.

A última testemunha a depor será o economista e ex-dirigente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Côrtes Neri. O ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, que comandou a pasta durante parte do primeiro mandato de Dilma Rousseff, deve defender o Ipea da suspeita de que a instituição teria represado a divulgação de dados desfavoráveis ao governo federal durante a campanha. A data do depoimento ainda não foi marcada.

As quatro ações contra a chapa Dilma-Temer estão sendo instruídas no mesmo processo, a Ação de Investigação Judicial Eleitoral 194358, sob a relatoria do ministro Herman Benjamin.

*Com informações AGÊNCIA O GLOBO

Roberto Brasil