Terceiro Turno

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Cândido Honório

Cândido Honório

Do ponto de vista democrático temos que aceitar o resultado das urnas, que reelegeu Dilma para mais um mandato de presidente. Todavia, analisando o mandato corrente e os anteriores do PT, observamos que, do ponto de vista legal, em face dos desmandos administrativos e, principalmente, com a prodigalidade desse governo com o erário, posando de bom samaritano com o nosso dinheiro, submetendo médicos cubanos a condição análoga a de escravos e o povo brasileiro mais carente à condição de incapaz – que precisa ser tutelado – não se conforma com um pleito legítimo. Num país sério a presidente Dilma há muito teria sofrido impeachment e não poderia nem concorrer. Por que a classe política não usa esse remédio democrático?  A resposta é muito simples: os políticos são especialistas em proteger a si mesmo. Aqui no Brasil a práxis é esta: conseguiu se eleger por qualquer meio, dificilmente deixará de cumprir o mandato até o fim. Os raros casos que ocorrem são bois de piranha, sacrificados convenientemente para que o resto do rebanho atravesse incólume.

As manifestações de junho do ano passado, não foram de todo em vão, posto que essa reeleição apertada demonstra que a formação política do povo brasileiro já começou. Na época, o povo sem liderança, quando sentiu o sucesso de sua empreitada, se assemelhou a cachorro que corre atrás de automóvel, quando alcança o carro em movimento não sabe o que fazer.

Pois bem, partidos políticos de esquerda pretenderam se aproveitar do movimento espontâneo, mas foram rechaçados pela autenticidade da massa que tomou as ruas para expressar o seu sentimento de insatisfação, a princípio, contra o valor da passagem de ônibus, depois, os protestos recrudesciam em face de motivos difusos, revelando que o movimento era acéfalo, mas nem por isso, ilegítimo.
Nenhuma dessas manifestações começou violenta, conseqüentemente não havia motivo para repressão. Mas o notório pacifismo dos manifestantes veio a ser quebrado por baderneiros infiltrados, provavelmente remunerados por alguém ou grupo a quem não interessa a paz, e precisava de motivo para reprimir violentamente, como na ditadura, com o fito de desestimular a continuidade das manifestações. Benditas são as redes sociais que vieram tirar o povo brasileiro do marasmo.

Observa-se, hodiernamente, que o povo pensa mais, a classe média se vestiu de povo, e a impressão que temos é a de que não haverá retrocesso, a despeito dessa reeleição não representar necessariamente a vontade de um povo livre, contudo induzido a erro, em face de várias ações de governo que configuram talvez o maior estelionato eleitoral de toda a história política brasileira..

Dar o peixe jamais será solução, porquanto, sem hipocrisia, e sem medo do politicamente incorreto, o programa bolsa família não passa de um imenso plano eleitoreiro de compra de votos com dinheiro público, cuja conseqüência mais funesta para o povo brasileiro não terá sido a reeleição da Dilma, mas a perpetuação do PT no Poder e a inevitável perda da dignidade dos bolsistas em razão do cativeiro.
A sociedade precisa se organizar melhor, e reagir no Terceiro Turno.//(Cândido Honório)

Mario Dantas