Temer lidera quadrilha desde que tomou lugar de Dilma, diz Janot

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Da esquerda para a direita: Rodrigo Rocha Loures, Henrique Alves, Michel Temer e Eliseu Padilha acompanham a votação do impeachment de Dilma (Divulgação)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que o presidente Michel Temer (PMDB) é líder da organização criminosa formada por expoentes do PMDB, conhecida como “quadrilhão da Câmara”, desde maio de 2016, quando ascendeu ao cargo de presidente, ainda interinamente, no lugar de Dilma Rousseff (PT), afastada após a abertura do processo de impeachment dela na Câmara, comandada por Eduardo Cunha (PMDB), outro acusado.

Além de Cunha e Temer, integravam o “quadrilhão”, segundo Janot, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Governo), além dos ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, além de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer – ou seja, todos, em algum momento, integraram o primeiro escalão do governo federal após a saída de Dilma.

O esquema teria cobrado propina em órgãos como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional e até a Câmara dos Deputados. Segundo Janot, o grupo desviou pelo menos R$ 587 milhões de propina.

Janot fez um registro histórico das nomeações e cargos ocupados desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi vitorioso nas eleições presidenciais de 2002 e precisava de mais espaço no Congresso Nacional. A entrada do “PMDB da Câmara” no governo começou a ser negociada em 2006, segundo o procurador-geral da República, “primordialmente em torno de dois interesses: a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); e a necessidade de ampliação da base do governo em razão do processo do Mensalão, que havia enfraquecido o poder político da cúpula do Poder Executivo federal integrada por membros do PT”.

Esses temas, afirma a PGR, foram negociados por  Temer e Henrique Alves, na qualidade de presidente e líder do PMDB, que concordaram com ingresso do “PMDB da Câmara” na base do governo em troca de cargos chaves, como a presidência de Furnas, a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias na Caixa Econômica, o Ministério da Integração Nacional e a diretoria internacional da Petrobras, entre outros. “No dia 30 de novembro de 2006, o Conselho Nacional do PMDB aprovou a integração da legenda, em bloco, a base aliada do governo Lula”, lembra Janot.

A PGR afirma que o papel de negociar os cargos junto aos demais membros do núcleo político da organização criminosa, no caso do subnúcleo do “PMDB da Câmara”, era desempenhado por Temer “de forma mais estável, por ter sido ele o grande articulador para a unificação do partido em torno do governo Lula”. Depois de definidos os espaços que seriam ocupados pelo grupo dos denunciados, afirma, Temer e Alves, este último líder do PMDB entre 2007 e 2013, eram os responsáveis maiores pela distribuição interna dos cargos, e por essa razão recebiam parcela da propina arrecadada por Moreira Franco, Geddel, Padilha e especialmente Eduardo Cunha.

Ainda de acordo com a PGR, Padilha, Geddel, Alves, Moreira Franco e Loures “têm relação próxima e antiga com Temer, daí porque nunca precisaram se valer de intermediários nas conversas diretas com aquele”. “Eram eles que faziam a interface junto aos núcleos administrativo e econômico da organização criminosa a respeito dos assuntos ilícitos de interesse direto de Michel Temer, que, por sua vez, tinha o papel de negociar junto aos demais integrantes do núcleo político da organização criminosa os cargos a serem indicados pelo seu grupo e era o único do grupo que tinha alguma espécie de ascensão sobre todos”, diz.

Transnacional

Janot informa ainda que a organização criminosa tinha atuação internacional, por meio de mecanismos de lavagem de dinheiro, como transferências bancárias internacionais – “na maioria das vezes, com o mascaramento em três ou mais níveis para distanciar a origem dos valores” – e a aquisição de instituição financeira com sede no exterior, “com o objetivo de controlar as práticas de compliance e, assim, dificultar o trabalho das autoridades”.

Investigação da PF

Nesta semana, a Polícia Federal entregou à Procuradoria-Geral da República o relatório da investigação sobre o chamado “quadrilhão do PMDB da Câmara” mostrando como funciona a estrutura do grupo, incluindo figuras do segundo escalão peemedebista, como Sandro Mabel e Tadeu Filipelli, ex-assessores de Temer.

Veja abaixo como seria essa estrutura, segundo a PF.

Por VEJA

 

 

Roberto Brasil