Susam confirma os primeiros casos de febre Chikungunya transmitidos em Manaus

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Todos os quatro casos de Chikungunya foram registrados neste mês de julho

Todos os quatro casos de Chikungunya foram registrados neste mês de julho

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que foram confirmados quatro casos da Chikungunya, com transmissão local, em Manaus. Até o momento, os nove casos da doença registrados no Amazonas eram “importados”, ou seja, os doentes haviam contraído a infecção em outros estados brasileiros ou países vizinhos. O secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza, disse que a confirmação dos casos já foi notificada ao Ministério da Saúde e alertou a população para que continue a adotar as medidas básicas de prevenção, voltadas para diminuir ao máximo os criadouros doAedes aegypti, mosquito transmissor da Chikungunya e também da Dengue.

“A circulação do vírus da febre Chikungunya em Manaus está caracterizada. Os cuidados que já vínhamos adotando e que nos permitiram reduzir de forma expressiva no número de casos de Dengue no primeiro semestre deste ano, devem ser redobrados, uma vez que se trata do mesmo vetor”, frisou Pedro Elias.

Segundo o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, todos os quatro casos de Chikungunya foram registrados neste mês de julho e se concentraram em pessoas de uma mesma família, que moram em residências próximas, no bairro do Dom Pedro, na zona Oeste da cidade. “As quatro pessoas – três mulheres e um homem –, com idades que variam de 48 a 72 anos, estão recebendo acompanhamento ambulatorial e, até o momento, não foi necessário a internação hospitalar de nenhuma delas”, disse ele.

A confirmação laboratorial da infecção pelo vírus Chikungunya foi feita em laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/AM) e, de acordo com Bernardino, as amostras de sangue coletadas dos doentes seguirão para o Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém (PA), apenas para efeito de validação. “Assim que recebemos a confirmação dos diagnósticos acionamos a vigilância saúde do município para, em conjunto com a vigilância estadual, passou a realizar as medidas de bloqueio, que consistiram na inspeção dos imóveis localizados num raio de 500 metros das residências dos doentes, para identificação e eliminação de possíveis criadouros do Aedes aegypti. A inspeção também buscou identificar a existência, nessa área, de pessoas com quadro febril e outros sintomas da Chikungunya, o que não foi encontrado”, explicou o diretor da FVS. Complementando as medidas de bloqueio, também foi iniciado na área um ciclo de fumacê para auxiliar na eliminação de focos do mosquito.

Sintomas – A Chikungunya tem manifestação semelhante à Dengue, com febre alta e súbita, tendo como principal característica as dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, pulso, tornozelos. Pode ocorrer, ainda, dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Não há, como na Dengue, a manifestação hemorrágica da doença, mas as dores nas articulações podem comprometer os movimentos e perdurar por muitos meses. “Esse é o principal problema para o paciente, que terá de fazer um acompanhamento longo”, diz Bernardino Albuquerque. Além do Aedes aegypti, a febre Chikungunya pode ser transmitida, ainda, pelo Aedes albopictus (mosquito que também é vetor a Dengue).

Desde meados de ano passado, as autoridades de saúde do Amazonas vinham trabalhando com a possibilidade de registros de casos autóctones (de transmissão local) da Chikungunya no Estado. A preocupação maior era com a circulação de pessoas entre a Venezuela e as Guianas, países vizinhos que já registravam, àquela altura, a transmissão ativa do vírus. No Brasil, os Estados da Bahia, Amapá e Mato Grosso do Sul registraram o maior número de casos da doença. No início deste ano, já haviam sido registrados quase 2,3 mil casos em todo o País.

Roberto Brasil