Susam adota novo protocolo, que vai facilitar o acesso ao tratamento de lesões no colo uterino

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logo_susamA Secretaria de Estado de Saúde (Susam) começará a adotar, a partir de outubro, um novo protocolo de atendimento, que facilitará o acesso de mulheres com lesões de alto grau (pré-cancerígenas) no colo uterino, à rede de atenção de média complexidade, encaminhando-as diretamente às unidades especializadas neste tipo de tratamento. Segundo o secretário de Estado de Saúde em exercício, José Duarte dos Santos Filho, a reorganização do fluxo, que envolve não somente as unidades da rede estadual, mas também a atenção básica, permitirá agilizar o tratamento, o que é importante, por exemplo, para evitar que lesões precursoras evoluam para o câncer de colo de útero.Duarte explica que a medida faz parte de um conjunto de ações voltadas à saúde da mulher, que vem sendo adotado pela Susam e que, na área de prevenção ao câncer de colo de útero e de mama, inclui programas como a vacinação contra o HPV em meninas de 11 a 13 anos de idade e a instalação de mamógrafos no interior do Estado. “O novo protocolo foi resultado de uma ampla discussão envolvendo, além de técnicos da Susam, profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)”, afirmou.

Atualmente, a mulher que faz o exame preventivo de Papanicolau na Unidade Básica de Saúde (UBS), e que apresenta algum tipo de alteração no colo uterino, é encaminhada para buscar pessoalmente o agendamento na unidade de referência no tratamento. Agora, terá a consulta já garantida, via Sistema de Regulação (Sisreg), para uma das unidades de média complexidade que irão compor o Serviço de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras de Câncer de Colo de Útero (SRC).

De acordo com a subcoordenadora da Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, da Susam, enfermeira Joselita Nobre, paralelo à implantação deste novo fluxo de atendimento, a secretaria também passará a oferecer à população feminina, a Exérese de Zona de Transformação (EZT). Trata-se de procedimento cirúrgico que viabiliza a retirada de material para biópsia e, em caso de lesões de alto grau, a remoção, na mesma ocasião, da parte do colo uterino afetada. O chamado método “ver e tratar”.

O procedimento poderá ser feito em cinco policlínicas da Susam e da Semsa, que serão habilitadas pelo Ministério da Saúde como SRC. São elas: Gilberto Mestrinho, Codajás, Castelo Branco, Comte Telles além do Ambulatório Araújo Lima, anexo ao Hospital Universitário Getúlio Vargas. A previsão é de que sejam realizados, pelo menos, 400 EZTs ao ano, 80 por cada unidade habilitada, além da ampliação da oferta de colposcopias (4.000/ano) e biopsias (500/ano). Atualmente, essas unidades de saúde realizam apenas o procedimento de coleta de material para biópsia (exame de anatomia  patológica que aponta a presença do câncer) e a colposcopia (exame que analisa o trato genital feminino e o colo uterino e que também pode detectar neoplasia maligna nesta área).

Apenas em caso de detecção de câncer, as pacientes serão encaminhadas à Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) – unidade da Susam que é referência no diagnóstico e tratamento do câncer na Amazônia Ocidental -, e ao próprio Ambulatório Araújo Lima, que inaugura, também no próximo mês, o Centro Qualificador de Ginecologia do Amazonas (CQG-AM). O centro reforçará a oferta de tratamento para as lesões precursoras do câncer de colo uterino e servirá como capacitador para os profissionais da área, que atuarão em polos regionais do interior e unidades de tratamento secundário da capital, a exemplo das policlínicas.

“Também no Ambulatório Araújo Lima, passarão a ser realizados os procedimentos de conização, que hoje são feitos pela FCecon. Assim, haverá uma descentralização do serviço, facilitando o acesso das pacientes e possibilitando à Fundação ampliar a oferta de procedimentos de alta complexidade aos pacientes com diagnóstico de câncer confirmado, destacou a subcoordenadora.

A conização é um procedimento cirúrgico adotado como tratamento de lesões precursoras do câncer do colo uterino, ocasionadas, principalmente, pela presença do HPV (Papiloma Vírus Humano), associada a outros fatores, como precocidade de início de vida sexual, multiplicidade de parceiros, entre outros.

Mario Dantas