Socorristas redobram esforços para salvar menina presa nos escombros de escola mexicana

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Socorristas trabalham na madrugada desta quinta na busca por sobreviventes nos escombros da escola Enrique Rébsamen (Foto: Reuters/Edgard Garrido)

A esperança de um milagre diminui a cada minuto que se passa desde o desabamento da escola. Horas antes, socorristas disseram de forma anônima que tinham visto cinco crianças com vida em meio aos escombros, enquanto outros afirmavam que com o uso de scanners térmicos tinham detectado ao menos três corpos com vida. Nenhum deles, no entanto, conseguiu ser resgatado até ao momento.

Vergara, no entanto, prefere não alimentar esperanças. Ele informou que as equipes conseguiram falar rapidamente com a menor e enviaram água e oxigênio para ela. “Estou muito cansada”, disse a jovem, segundo o militar.

Seu nome ainda é um mistério. Não foi possível escutar com clareza o que ela falou. Horas antes, a imprensa mexicana afirmou que a pequena se chama Frida Sofía, mas não há confirmação oficial e não foi possível encontrar nenhum parente procurando por uma criança com este nome nos arredores da escola.

Operação cirúrgica

A remoção de escombros na escola Enrique Rebsámen é feita com precisão quase cirúrgica. Postes metálicos são colocados cuidadosamente para sustentar a construção de dois pisos que, após o tremor, ficou comprimida em apenas um andar.

Por várias vezes os socorristas levantam seus braços, repetindo o sinal, popularizado nos resgates na Cidade do México, para pedir silêncio. Todos concentravam sua audição para tentar escutar um mínimo sinal de vida ou se comunicar com as equipes de resgate que entraram parcialmente nos escombros.

Por algumas vezes, o silêncio se prolongou por até meia hora. Todos permaneciam atentos e imóveis, mas esperançosos. Alguns sussurravam entre si.

“Estamos trabalhando com a ajuda de câmeras térmicas e unidades caninas. Em alguns momentos, ficamos em silêncio absoluto para escutar os sobreviventes. Eles muitas vezes gritam ou golpeiam paredes”, disse Pamela Díaz, uma padeira de 34 anos que desde terça-feira ajuda como voluntária no resgate.

Entre as equipes de resgate se destacava um homem pequeno, um civil que a imprensa mexicana apelidou de “Jorge Houston”, a junção de seu nome e do nome da cidade americana no Estado do Texas, estampado em uma camisa azul usada por ele.

Em razão de seu tamanho, ele é quem mais tem se aventurado em meio aos escombros. Ele sempre se benze antes de percorrer a chamada “linha da vida”, caminho que as equipes de resgate conseguiram criar em meio ao amontoado de concreto e barras de ferro da estrutura da escola. Foi Jorge Houston que conseguiu entregar água e oxigênio para a menina. / AFP

Roberto Brasil