Sociedade discute sobre educação em seminário realizado pelo PT Municipal

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pt-municipalO PT Municipal e seus parlamentares estão realizando uma série de seminários para a construção de um programa de governo para Manaus, que será apresentado em 2016. No Seminário de Educação realizado no último sábado (04/07), cerca de 300 pessoas, entre representantes de movimentos de professores, estudantes e lideranças comunitárias, contribuíram com inúmeras sugestões para a área. Após cada seminário é criado um grupo de estudos para aprofundar o tema ao longo do ano.

A iniciativa contou com a presença de palestrantes como a professora e doutora pelo Estado de São Paulo e membro da Fundação Perseu Abramo, Selma Rocha, a professor Gleice Oliveira e a pedagoga Rosemi Araújo, ambas da rede municipal. Este é o segundo debate promovido pela direção petista, denominado “Construindo uma nova Manaus”, no mês passado, foi abordado o assunto da mobilidade urbana e transporte público.

Um dos apoiadores do debate, o deputado José Ricardo Wendling (PT), afirmou que uma educação de qualidade se constrói com o envolvimento de todos, e, principalmente pela valorização dos profissionais desta área, mas sem deixar de lado a construção de escolas e ambientes adequados ao desenvolvimento de seus alunos. “Depois de muita insistência, conseguimos que a Assembleia Legislativa promulgasse nossa lei do número máximo de alunos por sala de aula, que previa sua total implementação em cinco anos. A proposta também foi incluída no Plano Estadual de Educação, mas com o prazo de 10 anos para sua eficácia. O governo, então, terá que se adequar a legislação. Salas sem lotação vão melhorar a qualidade do ensino/aprendizagem”, declarou. O parlamentar ressaltou ainda, que grande parte dos recursos para educação são desviados, ou figuram em processos de improbidade administrativa, por isso o povo tem que participar da gestão e acompanhar a aplicação deste dinheiro.

A professora Selma Rocha que contribuiu com o Plano Nacional de Educação e já foi secretária de educação em Santo André/SP, salientou que a escola tem uma função social fundamental para sociedade, e justamente, por essa razão é necessário a interação entre as secretarias de educação, de saúde, de segurança e de cultura. “O problema da educação é um problema estrutural, de falta de gestão democrática. Daí, a importância do trabalho coletivo entre os gestores, para dar uma perspectiva social não só para aluno e professores, mas para a comunidade”, expôs. Ela destacou ainda, que o planejamento e a participação popular são os principais fatores para avançar na área da educação. “Os planejamentos de manutenção prediais, de compras, de reformas têm que ser anuais e feitos juntos com a comunidade. Deve ir além de um governo partidário. Precisa ser para a população”, disse.

Já a professora Rosemi Araújo frisou que o “empoderamento” da escola por parte da comunidade cria no indivíduo não apenas um sentimento de participante na formação educacional, mas principalmente de co-responsabilidade na melhoria da sociedade. A educadora também frisou a necessidade de valorização dos profissionais, que na rede municipal são 12.4 mil para 227 mil alunos em 502 unidades educacionais.

A professora Gleice Oliveira expôs a situação calamitosa das escolas em áreas ribeirinha, num levantamento realizado pelo vereador Waldemir José (PT). Ela chamou a atenção também para a imposição dos materiais didáticos sem uma prévia consulta aos professores e a exclusão de disciplinas como a História e Geografia do Amazonas. “Comprar sistemas de ensino que desconsideram a realidade regional é nocivo para qualquer Estado, porque os alunos deixam de aprender os conteúdos da região e acabam sendo, de certa forma, estimulados a ignorância sobre a sua própria história. É a ausência da democracia no ambiente escolar”, criticou.

Os representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes (UEE) aproveitaram para manifestar repúdio à aprovação da redução da idade penal na Câmara dos Deputados, e para enfatizar que investir na juventude equivale a investir no futuro da sociedade.

A proposta do partido é todo mês realizar um seminário com um tema de relevância para cidade. Ao final de cada seminário, será criado um grupo de trabalho sobre o assunto abordado para elaborar  um projeto de governo alternativo para Manaus. No próximo mês, o debate será sobre saúde.

Roberto Brasil