“Sobrinho de Lula” depõe na CPI do BNDES e nega tráfico de influência

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Ficou claro que nosso convocado foi preparado para esse depoimento, frisou Marcos Rotta

Ficou claro que nosso convocado foi preparado para esse depoimento, frisou Marcos Rotta

Na manhã desta quinta-feira (15) a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades nos contratos internacionais do Banco Nacional do Desenvolvimento Social e Econômico ouviu Taiguara Rodrigues, sócio da Exergia Brasil investigada em função dos contratos com a empreiteira Odebrecht  para serviços no exterior.

De acordo com as investigações da CPI, os contratos adquiridos pela Exergia Brasil teriam acontecido no mesmo ano em que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva viajou com recursos da Odebrecht de praticar “lobby” para a empreiteira.

A convocação de Taiguara Rodrigues – que, segundo revelação da revista VEJA, é figura conhecida no meio empresarial brasileiro como “o sobrinho de Lula” – se deu por conta de seu suspeito crescimento profissional: De pequeno empresário a dono da Exergia Brasil, empresa sem cartela de serviços comprovada, contratada pela Odebrecht para trabalhar nas obras de ampliação e modernização de uma hidrelétrica em Angola.

CPI-BNDES-SOBRINHO-DE-LULA-2Em depoimento, Taiguara alegou não possuir nenhum vínculo de proximidade com o ex-presidente, além da relação de parentesco com a já falecida ex-mulher de Lula. Disse e que não acreditava ter sido beneficiado de maneira alguma por isso e que viajou com “Lulinha” para Cuba apenas uma vez, em caráter profissional. Afirmou, ainda, que não teve nenhum envolvimento direto com as linhas de financiamentos do BNDES:

“Nós prestávamos o serviço, mas não tínhamos conhecimento de onde vinha o recurso”, declarou o empresário.

Quando indagado pelo Deputado Arnaldo Jordy (PPS) sobre sua escolaridade, capacitação profissional, participação financeira no capital social da empresa que correspondesse aos 49% de participação que lhe cabiam, ou qualquer tipo de histórico empresarial que concedesse a Exergia a expertise necessária em negociações com empresa do porte da Odebrecht, Taiguara foi evasivo dizendo que o acordo com os sócios da Exergia S.A tinha com base sua suposta habilidade comercial.

CPI-BNDES-SOBRINHO-DE-LULA-3“Foi oitiva válida, com uma participação muito importante. Ficou claro que nosso convocado foi preparado para esse depoimento e, diante disso, essa Comissão precisa se aprofundar nas investigações dessa quebra de sigilo, mediante aprovação da CPI. Estamos evoluindo nas investigações”, afirmou o Presidente da Comissão, o Deputado Marcos Rotta (PMDB).

A Exergia Brasil recebeu entre US$1,8 milhão e US$2 milhões em contratos para serviços com a Odebrecht em Angola. Por solicitação dos parlamentares, a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico foi autorizada por parte do empresário, no entanto essa solicitação precisa ser aprovada pela Comissão, que ouve na próxima semana o ex-ministro Miguel Jorge e também o Sr. Fábio Bicudo, presidente do Conselho de Administração da Eneva.

Roberto Brasil