Sobram diagnósticos, propostas e candidatos, mas faltam credibilidade e confiança

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Carlos Santiago

Com declínio da política eleitoral, baseada em lutas de classes e na dicotomia entre ditaduras versus democracias e com a necessidade de decisões sensatas na complexidade da vida moderna, levam os eleitores a buscarem representantes e governantes baseados na credibilidade e confiança. Assim diz o antropólogo e cientista político americano John Thompson (2000).

A credibilidade e a confiança dos homens públicos são valores norteadores da atual cultura política, porque são garantias da efetivação das promessas de campanha e razões de escolhas dos eleitores numa democracia representativa. Valores sociais tão importantes que têm alimentado, inclusive, o volume dos escândalos políticos relacionados à falta de ética, com reprovação social.

No Brasil, além da crise econômica, da crise institucional e do sistema político, o País passa também por uma crise de falta de credibilidade e de confiança da classe dirigente. Caciques políticos foram atingidos por escândalos de corrupção, deixando o eleitor sem parâmetros morais e de ética para escolha de seus governantes e representantes, chegando a criar uma repulsa social da política e um forte descrédito nas instituições do Estado.

Diagnósticos corretos ou não e com propostas lançadas para superar a crise econômica existem no governo Michel Temer. No entanto, a falta de credibilidade e de confiança da sociedade, e até entre os próprios políticos, dificultam a saída da enorme crise ética que envolve o presidente Michel Temer. Até para conseguir um substituto.

No Amazonas, não é diferente. O ex-governador José Melo foi cassado por comprar votos nas eleições. Ele comandava um governo atacado pela incompetência e por escândalos de corrupção. Quando propôs resolver os problemas do Estado,  faltou-lhe amparo popular e apoio dos aliados das últimas eleições. Credibilidade e confiança, o governador Melo já não contava. Agora, uma nova eleição foi marcada.

Os problemas do Amazonas são de conhecimento público: a Região Metropolitana de Manaus tem a maior taxa de desemprego do País, resultado da crise econômica e também da falta de alternativa econômica sustentável ao Polo Industrial de Manaus,  deixando o interior sem desenvolvimento e ainda mais pobre; faltam ou têm precárias infraestruturas como portos, aeroportos, energias, estradas, internet; sem transparência nos gastos dos governos, sem participação popular no planejamento e na efetivação das políticas; máquinas públicas ineficientes e sem integração, dificultando melhoria dos serviços nas mais sensíveis áreas: segurança, saúde, mobilidade e educação.

Vários políticos já lançaram candidaturas ao cargo de governador, novos e velhos nomes da política do Amazonas. Os problemas do Estado já são conhecidos. As promessas e propostas não faltam, e nem faltarão. Mas falta credibilidade e também confiança na classe política e nos partidos que governam ou já governaram e que deixaram ou ajudaram a deixar o Amazonas com dívidas sociais e econômicos enormes.

É tempo de credibilidade e de confiança. Promessas, propostas e candidatos não faltarão.

*Sociólogo, Cientista Político e Advogado

Roberto Brasil