Seguro-desemprego cai 8% com regras mais duras e menor rotatividade

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Com regras mais duras, seguro-desemprego teve queda de 8% neste ano

Com regras mais duras, seguro-desemprego teve queda de 8% neste ano

O número de trabalhadores que recebem o seguro-desemprego é o menor desde 2011, apontam dados do Ministério do Trabalho.

Em média, foram pagos 654 mil benefícios ao mês nos primeiros sete meses do ano. Em 2014, essa média chegou a 713 mil. Em julho de 2014, o número de beneficiados alcançou 810 mil desempregados. No mesmo mês deste ano, baixou para 652 mil.

As regras de concessão, que ficaram mais duras em março, são apontadas como uma das causas da queda.

Outra é justamente a piora dos índices de desemprego. Com a menor geração de vagas formais desde o ano passado, caiu a rotatividade da mão de obra, que impulsionava o número de benefícios.

Os novos pedidos caíram 8% neste ano na comparação com 2014, mostram os dados obtidos pela Folha.

A saída do seguro-desemprego de em média 600 mil beneficiários por mês, porém, tende a gerar mais pressão sobre o mercado de trabalho.

Ao deixar de receber o seguro, parte dessas pessoas engrossa as filas de quem procura nova ocupação.

População desocupada

Segundo dados do IBGE, a população em busca de trabalho passou de 1,22 milhão de pessoas em agosto de 2014 para 1,85 milhão um ano depois, nas seis maiores regiões metropolitanas do país.

De acordo com os dados da pesquisa, no ano passado 28% dos entrevistados estavam em busca de trabalho há mais de seis meses. Em 2015, passaram a ser 33%.

O seguro-desemprego é recebido por um período de três a cinco meses por empregados demitidos após um período de ao menos 12 meses trabalhados. Os valores variam de acordo com o salário.

De acordo com o Ministério do Trabalho, nos primeiros oito meses de 2015 o país gerou 2,2 milhões de empregos a menos do que em 2014.

NOVAS REGRAS

As regras do seguro-desemprego mudaram desde março deste ano, em uma tentativa do governo federal de conter os gastos com o pagamento do benefício. Essas despesas haviam disparado nos últimos anos, alcançando R$ 32 bilhões anuais.

Para reduzir os gastos, o governo editou uma medida provisória elevando o período mínimo trabalhado para a obtenção do benefício, de seis para 18 meses.

Esse primeiro aperto vigorou entre março e junho.

Ao analisar a MP, o Congresso atenuou a regra, reduzindo o tempo do primeiro benefício para 12 meses. Isso passou a valer desde junho. O governo também mudou a forma de acesso ao segundo e terceiro benefício.

Apesar da queda no número de beneficiários, o desembolso do Executivo com o seguro aumentou 11% até julho. O valor gasto alcançou R$ 20,5 bilhões. Um dos motivos foi o aumento de 8,8% no salário mínimo neste ano. FOLHAPRESS

Roberto Brasil