Sede da Funai em Atalaia do norte é ocupada por Indígenas

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Os Matis reclamam do não atendimento de várias reivindicações

Os Matis reclamam do não atendimento de várias reivindicações

Nesta terça feira (19), um grupo de 40 indígenas do povo Matis ocupou a sede da Coordenação Técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai), na cidade de Atalaia do Norte (distante 1.100 quilômetros de Manaus), na fronteira com o Peru. Os oito funcionários do órgão e o coordenador local, Bruno Pereira de Araújo, foram obrigados a deixar o prédio.

Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) da região norte, a falta de respeito com que funcionários da Funai teriam tratado os Matis e o não atendimento da reivindicação de proteção para evitar conflitos com grupos sem contato  teriam motivado a ocupação.

Em novembro do ano passado, durante reunião na sede da Funai em Atalaia do Norte, um dos funcionários da Funai teria agido de maneira brusca e quebrado a flecha de um dos líderes Matis. Na ocasião, estava presente o coordenador do Departamento de Índios isolados da Funai, Carlos Travassos.

Travassos também teria causado grande irritação aos Matis, tendo acusado esse povo de provocar conflito com os Korubo.

De acordo com o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), Jorge Duarth Comapa, os Matis vem pedindo há meses que a CTL da Funai em Atalaia do Norte adote medidas para impedir o avanço dos grupos isolados nas aldeias Matis. Recentemente, na aldeia Paraíso, localizada no rio Branco, afluente do rio Ituí, distante da sede municipal aproximadamente 900 quilômetros por via fluvial, um grupo isolado teria matado um cachorro e retirado parte da roça.

“Os Matis estão com medo de serem atacados e de que ocorram mais mortes”, diz Jorge Marubo. Os indígenas dizem, ainda, terem informado o Coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental sobre contato de dez indígenas Korubo, provocado por indivíduos Matis nos arredores da aldeia Tawaya, às margens do Rio Branco.
Em outubro do ano passado aconteceu outro contato com grupo Korubo, de onze pessoas.

No início de dezembro de 2014, dois indígenas Matis foram assassinadas durante conflito com índios isolados do povo korubo, na aldeia Todowak, às margens do rio Coari. Esse fato teria desencadeado retaliação e provocado morte também de isolados.

A ocupação da Funai, inicialmente feita somente com um grupo de Matis, conta agora com cerca de 80 pessoas também dos Marubo, Kanamari, Kulina e Matsés. Os indígenas sustentam que só sairão do local quando o presidente da Funai, João Pedro Gonçalves, comparecer ao local para discutir a implantação de uma Coordenação Técnica na região onde os conflitos vem ocorrendo. *Conteúdo Cimi e Vozes da Amazônia

Roberto Brasil