Secretário de Segurança anuncia operação na Zona Sul

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Com a presença de mais de 200 moradores e líderes comunitários de bairros da Zona Sul de Manaus, em reunião organizada pelo Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado David Almeida (PSD), na quarta-feira, 12, na quadra da Escola Reino Unido, no Morro da Liberdade, o Secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP), Sérgio Fontes, anunciou uma operação com a presença ostensiva de Policiais Militares e Civis nos próximos dias na região. A atuação também será estendida para as Zonas Norte e Leste de Manaus.

De acordo com Fontes, de primeiro de janeiro ao dia 11 de abril, foram registradas 45 mortes na Zona Sul da capital, a maioria decorrentes da disputa interna entre integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN), que segundo ele está “rachada”, e os bandidos estão lutando entre si por dinheiro e poder.

“É uma ação de disputa de criminosos. O que nós vamos fazer é evitar que eles ditem as regras para essas comunidades. Ninguém vai dizer o que o cidadão tem que fazer. Realmente criminosos locais desta região estão em disputa com outros criminosos da mesma facção. A FDN está se dilacerando na busca de poder e dinheiro. Nós garantimos que a população não vai sofrer com essa briga. De todas as mortes na região, 90% foram criminosos se matando, isso nos preocupa porque acontece no meio de cidadãos de bem e eles podem sofrer algum efeito colateral dessa briga. Nossa operação inicia hoje na região Sul, Leste e Norte onde há adversários desses criminosos. São ações de presença e abordagem. Investigações estão acontecendo e sairão prisões”, afirmou.

Além do Secretário de Segurança, participaram da reunião o Delegado Geral da Polícia Civil, Frederico Mendes, o Comandante da Polícia Militar, Coronel David Brandão, e os delegados da região, bem como o Deputado Estadual Bosco Saraiva (PSDB).

Na reunião, promovida por David Almeida, os presentes puderam fazer queixas e tirar dúvidas com os integrantes da segurança pública do Estado. Almeida explicou que solicitou esta ação após observar o clima de medo acometido no bairro nos últimos dias. Ele lembrou ainda que a Zona Sul sempre foi uma área tranquila e que com o apoio efetivo da polícia voltará à normalidade.

“É importante a presença da polícia na comunidade, dando segurança à população. A presença do policial inibe qualquer tipo de ação dos marginais. Nós sabemos que esses conflitos são pontuais entre os próprios marginais. Queremos que a presença da polícia possa garantir a segurança da população. Com essas ações, sem dúvida, voltaremos a normalidade aqui. Aqueles que insistem estar fora da lei serão punidos”, disse.

Clamor pela paz

Morador do bairro há 42 anos, Luís Marcondes do Carmo, que é um dos líderes da Comunidade do Morro da Liberdade, foi até o evento com um cartaz que dizia: “O Morro pede paz”. Ele contou que nas últimas semanas o bairro perdeu sua característica de um local alegre e movimentado, e após às 19h, as ruas estavam desertas, com os moradores com medo dos traficantes

“Essa reunião nesse momento crítico de muita violência que estamos passando é muito importante para o Morro da Liberdade, para darmos um basta nas mortes que estão acontecendo na Zona Sul. Graças a Deus alguém teve a ideia de fazer essa reunião e trazer de novo a paz e o sossego para todos os bairros da zona sul. Moro aqui há 42 anos e nunca vi isso aqui, com mortes e até toque de recolher. Queremos o Morro de volta para a comunidade e os populares que aqui habitam. Acredito que depois de hoje haverá um basta nesta situação”, falou.

Pedido de ajuda

O Comandante da PM, Coronel David Brandão, pediu que os moradores contribuam com a segurança pública passando informações dos criminosos por meio do Disque Denúncia, no número 181.

“A cidade está sitiada pelos órgãos de segurança, Polícia Militar e Civil que estão sempre nas ruas. Nós temos o Disque Denúncia, que é o 181, da Secretaria de Segurança. Isso é uma ferramenta que a pessoas nem precisa se identificar. Pedimos à população que denuncie. Diga o nome e local dos bandidos que estaremos presentes”, observou.

Roberto Brasil