Ricardo Nicolau propõe CPI para investigar retirada de nomes da Operação Estocolmo

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Iniciativa se baseia em decisão da Justiça que incluiu Dissica Calderaro, Umberto Calderaro e Marcelo Alex na lista de acusados de pedofilia

O deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) propôs, nesta terça-feira, 29 de setembro, a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o vazamento de informações e a possível manipulação do inquérito policial que originou a Operação Estocolmo, deflagrada em 2012 pela Polícia Civil para desarticular uma rede de pedofilia no Estado.

A proposta de abertura de CPI veio após a Justiça Estadual determinar a inclusão dos donos do jornal A Crítica, Dissica Calderaro e Umberto Calderaro Neto, e o sócio deles, Marcelo Alex, na lista de acusados de pedofilia, estupro de vulnerável e exploração sexual de crianças e adolescentes do processo judicial pertinente à Operação Estocolmo no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).

A decisão foi publicada no dia 24 de setembro último pela juíza da 7ª Vara Criminal, Careen Aguiar Fernandes, que acolheu parecer do promotor da 4ª Promotoria de Justiça Criminal, Márcio Fernando Nogueira Borges de Campos. A ação judicial está em curso desde janeiro de 2014, após ser aceita por unanimidade, e tem outros 20 acusados.

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Na tribuna, o deputado relembrou que vieram à tona, na época da ação da polícia, rumores de vazamento de informações e exclusão de nomes da relação de investigados do inquérito que embasou a Operação Estocolmo. O fato foi amplamente noticiado pela imprensa local e posteriormente comprovado por alguns dos próprios empresários acusados.

O parlamentar afirmou considerar a possibilidade de que os nomes de Dissica Calderaro, Umberto Calderaro Neto e Marcelo Alex tenham sido retirados do inquérito. No ano passado, os empresários já haviam sido denunciados pelo jornalista Ronaldo Tiradentes por possível envolvimento com a rede de pedofilia desarticulada em 2012.

“São informações gravíssimas. A Justiça, junto ao Ministério Público, já determinou a remessa de todos os dados referentes a esses senhores à Operação Estocolmo”, disse Ricardo Nicolau. “A Lei vale para todos, não pode haver privilégios. E, agora, eles terão o pleno direito de se defender.”

O deputado solicitará à presidência da Casa reunião com as lideranças partidárias para avaliar a abertura de CPI que investigue as evidências de que houve manipulação do inquérito policial. “Agora cabe a esse parlamento investigar. Caso contrário, nenhum deputado terá moral para subir à tribuna e falar do (ex-prefeito) Adail Pinheiro, por exemplo. O crime (de pedofilia) é o mesmo”, enfatizou.

Estupro de vulnerável

O deputado Ricardo Nicolau revelou que Dissica Calderaro pode responder a outro processo judicial também por crime sexual contra uma menor de idade. O parlamentar teve acesso a um Boletim de Ocorrência registrado pela mãe de uma adolescente de 14 anos acusando o empresário de estupro. O crime teria ocorrido em março do ano passado.

O caso foi levado pelo deputado à titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), Linda Gláucia Moraes, durante uma das oitivas da CPI da Pedofilia da Aleam, em abril do ano passado. De acordo com o parlamentar, a delegada confirmou a veracidade do ocorrido em depoimento aos membros da CPI.

“A delegada não quis dar maiores detalhes, mas disse que a denúncia é verdadeira e que o senhor Dissica inclusive chegou a ser encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal)”, relatou Ricardo Nicolau. “A delegada disse ter enviado o processo à Justiça, que pode estar correndo em segredo de justiça por se tratar de estupro de vulnerável.”

Denúncias de Ronaldo Tiradentes

 Em março de 2014, o jornalista Ronaldo Tiradentes denunciou, por meio de seu blog e da Rádio Tiradentes FM, uma série de denúncias em vídeo evidenciando a possível ligação dos empresários com a rede de pedofilia desarticulada pela Operação Estocolmo.

O escândalo teve como fonte uma das cafetinas investigadas pela polícia que afirmou em diversas gravações que os irmãos Dissica e Umberto Calderaro, assim como o empresário Marcelo Alex, eram seus “clientes” e que participaram de “encontros sexuais e bacanais promovidos em motéis e iates com a presença dos empresários e de menores de idade”.

A cafetina afirmou, também, que teria sido ameaçada de morte por pessoas próximas dos novos acusados e que carros pertencentes ao grupo de comunicação A Crítica foram utilizados para transportá-la por diversas vezes por conta dos encontros sexuais.

Mario Dantas