Relator diz que Temer obstruiu a Justiça ao trocar membros da CCJ

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Dep. Sérgio Zveiter

Ao iniciar sua fala final, que antecede a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o relator Sergio Zveiter (PMDB-RJ) subiu o tom e disse que é uma “vergonha” a manobra feita pelo Palácio do Planalto de substituir membros na comissão para conseguir os votos necessários para rejeitar a denúncia. Para Zveiter, o troca-troca, que segundo ele foi feito com base em liberação de verbas e cargos, configuram obstrução de Justiça.

Ele voltou a defender, como em seu relatório, que são “fortíssimos” os indícios apresentados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na denúncia. Zveiter, que já reconheceu a possibilidade da derrota, disse que o voto em separado que deverá ser apresentado em caso de rejeição de seu parecer foi elaborado por orientação de Temer. E chamou isso de vergonha.

— É obstrução de justiça usar dinheiro público para que deputados venham aqui votar a favor de um arquivamento esdrúxulo. Temos que ver esclarecidos todos os fatos. E vamos ver, porque o voto em separado que vai ser apresentado é um voto que foi redigido não aqui no Parlamento. Ele é originário do Palácio do Planalto. Perderam a vergonha ,perderam a compostura_ atacou.

Ele avisou que se seu parecer for derrotado, o defenderá no plenário, para onde o caso vai após a votação na CCJ.

Antes de iniciar sua réplica sobre o relatório, Zveiter pediu a palavra para contra-atacar o colega Darcísio Perondi (PMDB-RS), que o teria acusado de apologia ao nazismo, em seu relatório. Zveiter diz que o correligionário se escondeu sob o véu da imunidade parlamentar para proferir ofensas contra ele, que é judeu.

Zveiter encerrou seu discurso dizendo ter certeza de que mesmo que o governo vença na comissão, a denúncia será aceita no plenário da Câmara. Lá serão necessários 342 votos (2/3 do total de 513) a favor da aceitação da denúncia para que ela seja enviada ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

— É por isso que em alto e bom som eu digo: voto pela admissibilidade da acusação e pelo deferimento de instalação do processo por crime comum contra o presidente da República, na certeza absoluta de que essa derrota artificial que se antecipa pela liberação de emendas e cargos oferecidos não vai ter respaldo no soberano plenário da Câmara — disse Zveiter.

Após o relator, quem fala é o advogado de Temer, Antônio Mariz, que fará um último discurso antes de a votação da denúncia começar. Caso o relatório de Zveiter seja rejeitado, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), terá de escalar um novo relator para defendeu um parecer alternativo, dessa vez, contra a aceitação da denúncia. A escolha tem que ser feita entre os que rejeitaram o parecer de Zveiter. E aí esse novo parecer também vai a voto. Tudo isso deve ocorrer ainda na sessão desta quinta-feira.

O GLOBO

Roberto Brasil