Reforma Trabalhista: cinco deputados do AM votaram a favor e três contra

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O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem, por 296 votos a favor, 177 contra e nenhuma abstenção, o Projeto de Lei 6787/16 que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Dos oito deputados federais da bancada do Amazonas cinco votaram a favor e três contra.

Votaram “sim” ao texto-base os deputados Alfredo Nascimento (PR), Átila Lins (PSD), Arthur Bisneto (PSDB), Pauderney Avelino (DEM) e Silas Câmara. Os votos “não” vieram de Conceição Sampaio (PP), Hissa Abrahão (PDT) e Sabino Castelo Branco (PTB).

Átila Lins disse que votou a favor por reconhecer a necessidade de modernizar a legislação trabalhista, flexibilizando-a para permitir a geração de novos empregos. “A CLT é uma lei muito antiga e o Brasil mudou. O mundo mudou. As relações de trabalho mudaram”, justificou.

Arthur Bisneto corrobora a tese do colega de bancada e afirma que a nova lei moderniza as relações de trabalho. “Essa balela de que retira emprego é uma mentira de quem acabou com os empregos do País. A população vai ver, após a aprovação final da medida, que a reforma trabalhista é extremamente útil para o futuro desses empregos que serão criados e a manutenção dos empregos já existentes no Brasil”, declarou Bisneto.

Ao votar “sim”, Silas Câmara disse que o projeto de lei não retira direitos do trabalhador, ao contrário, gera emprego. O parlamentar exaltou a medida que acaba com o imposto sindical dizendo que a contribuição anual “sustenta a malandragem”.

Pauderney Avelino citou os 17 mil sindicatos no Brasil com “dado assustador” e que são os representantes dos trabalhadores que espalham mentiras e são eles (sindicalistas) que têm medo da reforma.

Contrários

Seguindo a orientação do PDT de votar “não” ao PL 6787, o deputado Hissa Abrahão destacou o item que privilegia o negociado sobre o legislado. Para ele, a medida aniquila a reforma e qualquer autonomia de negociação do trabalhador.

Já a deputada Conceição Sampaio votou contra a orientação do partido, o PP, dizendo “não” à reforma trabalhista. Ela justificou o voto dizendo que o momento de crise econômica e de desemprego não é apropriado para fazer essas reformas.

Quem também desobedeceu ao PTB e votou contra a Reforma Trabalhista foi o deputado federal Sabino Castelo Branco. “Não tinha condições de votar sim e disse isso ao partido. Para mim, o projeto retira direitos adquiridos pelo trabalhador. Votei pelo Brasil e pelo Amazonas”, afirmou o parlamentar.

Proposta enfraquece sindicatos

O fim do imposto sindical previsto na reforma trabalhista enfraquece a estrutura sindical e atinge sobretudo os pequenos sindicatos, que não têm grande número de filiados, segundo sindicalistas. Embora não admitam oficialmente, as centrais sindicais também estão preocupadas e, com a aprovação da medida no Plenário da Câmara, vão tentar convencer o Senado a rejeitá-la ou, em última opção, buscar o veto do presidente Michel Temer.

Com a eventual aprovação definitiva da reforma, a tendência é que os pequenos sindicatos, dependentes da contribuição sindical, fechem as portas. O imposto corresponde a um dia de salário de todos os trabalhadores, filiados ou não aos sindicatos. A cobrança é automática e ocorre sempre no mês de março. Já os grandes sindicatos, com número maior de filiados, vão tentar compensar a perda de receita com maior prestação de serviços para atrair novos sindicalizados.

(DO PORTAL A CRÍTICA)

Roberto Brasil