Rebelião: detentas não aceitam chegada de mãe de bebê estuprada em motel

By -

As cinco detentas envolvidas na ocorrência serão colocadas no isolamento como forma de punição administrativa (Foto: Márcio Melo)

Internas do Centro de Detenção Provisório Feminino (CDPF), localizado no Km 8 da BR-174 (Manaus – Boa Vista), realizaram um motim na tarde desta quarta-feira (6), na unidade prisional. O motivo da ação seria a chegada no presídio da mãe da bebê de 7 meses, que foi estuprada dentro de um motel na semana passada com a conivência dela.

Algumas pessoas que estavam visitando os detentos no Centro de Detenção Provisório Masculino (CDPM), localizado ao lado da unidade feminina, conseguiram ver, através das grades, vários colchões incendiados. As testemunhas conseguiram visualizar ainda que várias detentas cobriam os rostos com panos para se proteger da fumaça.

De acordo com testemunhas, as detentas da unidade prisional se chocaram com o crime cometido pela mãe da menina ao deixa o próprio padastro da bebê cometer o crime. “Elas desejam fazer Justiça com as próprias mãos”, relatou uma fonte à reportagem.

Informações preliminares davam conta que as detentas colocaram fogo em colchões e fizeram três agentes  penitenciários reféns. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), no início da noite, que revelou que três agentes de socialização foram feitos reféns por cinco internas do pavilhão 1. A ação ocorreu durante o banho de sol, próximo ao horário da tranca da unidade.

Ainda não há informação de ferido. Na última hora, pelo menos 3 viaturas da Rocam chegaram ao CDPF, após serem solicitadas pela Seap, para conter a rebelião.

O Corpo de Bombeiros informou que a corporação foi acionada para o local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também envio ambulâncias para a unidade. “Foi solicitado apoio. Nosso centro de operações vai deslocar uma viatura para lá”, disse o sargento Janderson Lopes, da assessoria do Corpo de Bombeiros.

A assessoria da Seap informou que, por volta das 15h10, CDPF registrou o início de uma alteração na unidade durante o procedimento de tranca. Equipes da Seap foram para a unidade e negociaram a libertação dos agentes com a presença de um representante dos direitos humanos.

As cinco detentas envolvidas na ocorrência serão colocadas no isolamento como forma de punição administrativa. Na ocasião, as reivindicações serão estudadas pela Seap. Por meio de nota, a assessoria da Seap destacou que “o secretário de administração penitenciária, Cleitman Coelho, afirmou que o Estado não vai admitir que sugestões, críticas ou queixas dos internos do sistema prisional sejam repassadas através de ações como a de hoje. Para ele, o diálogo de forma pacifica deve ser usado e que atitudes que colocam em risca a vida de pessoas inocentes não podem ser utilizadas como manobras de exigência ou enfrentamento da população carcerária”.

Roger Lima/EM TEMPO

Roberto Brasil