Qualidade de produtos da construção civil é alvo de audiência pública em Manaus

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Dep. Sinésio Campos

Dep. Sinésio Campos

O desabamento de um anexo, ainda em construção, do Hospital Adventista de Manaus nesta quarta-feira (16) motivou o deputado estadual Sinésio Campos a solicitar uma audiência pública para discutir a qualidade de produtos usados em obras de construção civil no Amazonas. O acidente ocorreu próximo à ala pediátrica do hospital e deixou duas pessoas com ferimentos leves: um operário e uma criança.

O deputado Sinésio é presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás e Energia da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e já denunciou o comércio de cimento irregular em Manaus. Em 2013, um relatório gerado pela comissão presidida por ele apontava a existência de cerca de 20 marcas de cimento importado, sem data de validade ou local de origem definido.

“Na época encaminhamos o relatório à Polícia Federal para as devidas providências. E neste ano, no dia 26 de junho de 2015, tivemos uma mesa-redonda aqui na Assembleia, convocada pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, onde entregamos o mesmo relatório ao presidente da comissão, o deputado federal Édio Lopes (PMDB-RR).”, explicou Sinésio.

A atitude do deputado Sinésio de encaminhar o relatório à Polícia Federal e à Comissão de Minas e Energia é justificada pelo teor do relatório. O documento trata, principalmente, da qualidade, origem e especificações técnicas do cimento usado em Manaus. E cimento, por ser um produto originário de um minério (calcário), é de competência da União.

“Ainda bem que esse acidente ocorreu de manhã cedo, quando tinha pouca gente na obra. Se fosse um pouco mais tarde, talvez alguns trabalhadores estivessem bastante feridos ou até mortos. Essa questão da construção é algo que tem que ser vista urgentemente, para isso que vou convocar essa audiência pública”, justificou o deputado.

A audiência deve contar com a presença de representantes do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil de Manaus e do Estado do Amazonas (Sintracomec) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Amazonas (Crea/AM).

Perigos – O uso de cimento sem qualidade garantida pode gerar doenças nos trabalhadores da construção civil, além de impactar diretamente a obra.

A qualidade do cimento está diretamente ligada à segurança da população. Cimentos produzidos fora dos padrões estabelecidos pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) podem comprometer estruturas, causar fissuras e outras manifestações patológicas que, em casos extremos, podem levar edificações ao colapso (queda).

De acordo com o técnico especialista em cimento da ABCP, Arnaldo Battagin, um dos principais itens na hora de escolher cimento, independente da marca ou tipo, é verificar a existência do certificado de qualidade impresso na embalagem. “É indispensável que haja o selo de qualidade da ABCP ou de outro órgão da área, que possa comprovar a procedência do produto. E o prazo de validade não deve ser superior a 90 dias. Se estiver vencido ou com validade superior a isso, desconfie”, recomendou.

Roberto Brasil