Produção de pintos em Manicoré será referência no abastecimento de carne e ovos no Estado

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Mais de 50 famílias rurais do município de Manicoré (distante 332 km de Manaus em linha reta) receberão na próxima segunda-feira, 16 de novembro, o primeiro repasse de pintos produzidos pelo Programa “Unidade Artesanal de Produção de Pintos Caipira”. Inicialmente, serão disponibilizados 1.500 pintos resultantes da primeira incubação. Até  o final do ano, o Programa beneficiará mais de 170 famílias. A entrega será realizada nas instalações da Unidade localizada na estrada do Atininga s/nº.

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O Programa, criado pelo Governo do Estado em parceria com a Prefeitura de Manicoré é executado pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam)/Sepror e Secretaria Municipal de Agricultura e tem como objetivo buscar alternativas para alavancar a produção local de carne e ovos. Serão disponibilizados pintos (de 1 a 7 dias) para atender a demanda de agricultores familiares, reduzindo a dependência de importação de produtos de origem animal, especialmente na entressafra do pescado.

De acordo com o diretor-presidente do Idam, Edimar Vizolli, o Estado está disponibilizando políticas públicas ao alcance do agricultor. Inicialmente, serão canalizados recursos para financiamento de mil famílias, preferencialmente esposas de agricultores, por meio da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam)/Banco do Povo.

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“Esses recursos serão destinados à aquisição de insumos e a construção do galinheiro será de responsabilidade dos beneficiários. O agricultor só começa a quitar o financiamento daqui a três anos”, pontuou Vizolli, ao destacar que o Programa será instalado em 9 municípios da região do Alto Solimões, além de Borba e Envira”.

Experiência positiva – Para a agricultora Maria dos Santos Viana, 71 anos, da localidade Boca do Rio, comunidade Nazaré, a experiência está sendo positiva. “Antes eu criava as galinhas soltas e sem muitos cuidados, e depois que passei a receber a assistência técnica do Idam percebi que as aves ficaram maiores e produzindo mais ovos. Aprendi que as aves precisam ficar no galinheiro para comer e beber a vontade e ganhar peso, além da importância da vacinação para evitar as doenças”, disse.

A atividade vai impulsionar a economia no município, afirma o prefeito Lúcio Flávio do Rosário. “O Programa vai proporcionar aos agricultores a oportunidade de ter seu negócio e criar opções de emprego e renda para as famílias locais. O diferencial é que toda a cadeia produtiva está centralizada no município, desde a produção até a comercialização do produto”, finalizou.

Incubação – Segundo o coordenador do Programa Aglei Maciel, Manicoré tem hoje um produtor de avicultura com um plantel de dois mil bicos, o que não atende a demanda local, sendo necessária a importação de ovos. A carne de frango consumida no município é importada em sua totalidade.

“Até dezembro serão finalizadas as atividades de incubação que  produzirão 5 mil pintos e 12.500 quilos de carne. A produção deverá ser comercializada no município e o excedente destinado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) gerando renda para agricultores do município”, afirmou Maciel.

Investimentos – As famílias receberão de 50 a 100 pintos de acordo com a seleção realizada pelos técnicos do Idam e da Secretaria Municipal de Agricultura, conforme a demanda da comunidade. Os agricultores selecionados já foram capacitados e o próximo passo será a elaboração de projetos junto a Afeam/Banco do Povo.

Programa – O Programa piloto foi instalado em Manicoré no mês de setembro deste ano, com a estrutura de um matrizeiro (local onde se cria as aves matrizes para produção de ovos), duas máquinas de incubação com capacidade para 3 mil ovos férteis, cada, e um nascedouro com capacidade de produção de 3 mil pintos.

A partir de 2016, com o incremento do Programa a capacidade de produção será de até 7 mil pintos (a cada 45 dias) que serão disponibilizados aos agricultores familiares do município, após o nascimento. Inicialmente foram utilizadas matrizes, oriundas de São Paulo, adquiridas mediante recursos do governo do Estado por meio de convênio com o Idam e Prefeitura Municipal.

Mario Dantas