Presos em Itacoatiara cultivam horta para garantir os próprios alimentos

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Fornecer legumes, verduras e hortaliças para mais de 200 pessoas é o primeiro objetivo dos 12 detentos que cultivam uma horta orgânica na Unidade Prisional de Itacoatiara (UPI).  Com pepino, alface, tomate, couve e outros itens da feira, dez canteiros foram instalados no presídio por meio da Umanizzare Gestão Prisional em parceria com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A ideia é incentivar não só o cultivo de produtos livres de agrotóxicos, mas também a vontade de trabalhar e se dedicar a atividades que ajudam na recuperação.

O projeto foi apelidado de “Plantando a Liberdade” e já existe a possibilidade de crescimento. Aumentar a área da horta é uma opção para o secretário de estado Pedro Florencio. “Se continuarmos avançando mais pessoas vão querer participar e assim, ao poucos, vamos tendo homens que mudaram devido à possibilidade de trabalho ofertada aqui”, ressaltou durante visita ao presídio.

 

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Para dar início ao projeto, a Umanizzare buscou parceria com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM). O técnico em agropecuária, Paulo Damásio, tem dado todo o suporte para que as técnicas sejam bem aplicadas. “Nós estamos trabalhando nisso desde o segundo semestre de 2015. Eles foram preparados, passamos todas as informações que eles iam precisar para que pudéssemos chegar aqui nessa fase que, em breve, será a colheita”.

O espaço, ainda pequeno, já é motivo de orgulho para aqueles que têm se dedicado todos os dias às plantações.  Preso há dois anos, Hélio Fernandes, 32, encontrou na horta uma ocupação que tem ajudado a mudar hábitos que também refletem no convívio com a família. “Eu tenho sentido bastante à evolução e tenho buscado chamar mais colegas para isso. A horta tem sido fundamental para preencher o meu tempo ocioso aqui na prisão”, lembrou.

Os detentos fazem revezamento entre si para cuidar da horta. Todos os dias, de 13h às 17h dois detentos regam e limpam o espaço. “Acabamos criando disciplina também e isso é bom para todos”, disse Fernandes. Com o trabalho na horta e bom comportamento, os detentos também têm direito a remição de pena.

Por Lívia Anselmo – Seap

Mario Dantas