Presidente da Eneva depõe na CPI do BNDES

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"Nosso compromisso é apurar os fatos e garantir a transparência nos gastos do dinheiro público”, disse Rotta

“Nosso compromisso é apurar os fatos e garantir a transparência nos gastos do dinheiro público”, disse Rotta

O Presidente da Eneva, antiga MPX Energia, se apresentou hoje na CPI do BNDES, na condição de testemunha, para depor sobre as transações financeiras realizadas entre o Banco e a estatal. As operações teriam acontecido num período em que o grupo já estaria em queda e agora tem sido questionadas pelos membros  da Câmara Federal.

Durante todo o depoimento, o executivo se ateve a respostas técnicas.  Acompanhado por três advogados, Bicudo admitiu ter participado de uma reunião de preparação, a qual acusou ser protocolo da empresa, e negou qualquer contato ou relação com membros do governo. O executivo disse também que nenhum empréstimo foi concedido após seu ingresso na estatal, por isso não poderia responder com maior propriedade sobre as transações analisadas pela CPI.

Ao ser questionado sobre a razão que teria levado o banco público a emprestar dinheiro a uma empresa já em situação de risco, Bicudo afirmou que o cenário na altura dos empréstimos era diferente e que as variáveis, como os quatro anos sem um nível elevado de chuva, teriam influência direta nesses resultados: “Se em quatro anos a companhia atrasa um mês, ela é obrigada a pagar por esse tempo de atraso na produção, isso custa caro à empresa e teve reflexo direto nesses resultados”, afirmou o executivo.

Mesmo explicando sobre as variáveis e o pedido de Recuperação Judicial da Eneva, que reduziu em aproximadamente 95% do valor dos investimentos do BNDES,   Fábio Bicudo afirmou que o BNDES não sofreu nenhum tipo de prejuízo, por conta dos arranjos acordados entre o próprio banco e a estatal. Ele legou, ainda, não possuir nenhum vínculo pessoal com o empresário Eike Batista, afirmando que sua indicação partiu da empresa Alemã E.ON, que buscava espaço para novos investimentos no Brasil, Turquia e Rússia, e que essa indicação foi submetida ao conselho da MPX Energia, da qual a empresa alemã detinha 24,5% das ações.

Para o presidente da Comissão, o Deputado Marcos Rotta, essa foi uma audiência tranquila e importante: “Essa CPI não tem a intenção de escandalizar o País, tem a intenção de conceder a todas as partes envolvidas, direta ou indiretamente, a oportunidade de esclarecer dúvidas e apresentar um melhor entendimento das ações que estão sob sua análise. Nosso compromisso é apurar os fatos e garantir a transparência nos gastos do dinheiro público”, afirmou o Deputado.

O depoimento de Fábio Bicudo foi encerrado com a proposta do Deputado Caio Narcio de quebra dos sigilos do executivo, ação a ser proposta em requerimento e colocada em votação. Na próxima semana a CPI ouve o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Roberto Brasil