Prefeitura e Governo do Estado alinham ações contra o Zika

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campanha-contra-dengue 01A força-tarefa para evitar o avanço do Zika Vírus em Manaus e uma epidemia da doença na capital está sendo ampliada pela Prefeitura de Manaus e Governo do Estado. Os secretários de Saúde do município, Homero de Miranda Leão Neto, e do Estado, Pedro Elias, se reuniram nesta terça-feira, 2, com os membros do Comitê Multidisciplinar de Apoio ao Monitoramento, Prevenção e Controle da Ocorrência de Casos de Microcefalia. Durante a reunião, no auditório da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), foram alinhadas as estratégias e ações de reforço ao combate do mosquito Aedes aegyti, transmissor da Dengue, Chikungunya e do Zika Vírus.

O Boletim Epidemiológico divulgado pela Semsa e Susam durante a reunião, por meio do Centro Integrado de Operações Conjuntas em Saúde (CIOCS), apontou que Manaus tem 25 casos confirmados de Zika Vírus, sendo sete gestantes. Ainda estão esperando a confirmação da doença por laboratório, de 201 pessoas, sendo 21 gestantes.

“Esses casos já eram esperados e já estávamos preparados. Adotamos todas as medidas para que essas grávidas sejam acompanhadas no seu pré-natal com prioridade até o nascimento do bebê. O fato de as mães serem diagnosticadas com Zika, não significa que o bebê esteja com microcefalia, isso somente será confirmado durante os exames na gravidez e depois do nascimento da criança”, declarou o secretário Homero.

Homero disse que das sete grávidas confirmadas, apenas três estão no primeiro trimestre da gravidez, o período de maior vulnerabilidade para a gestante. Duas gestantes estão no segundo trimestre e as outras duas no terceiro. “Nenhuma infecção tem 100% de possibilidade de transmissão para o feto durante a gravidez, como do Zika também não. E quando tem infecção no feto, elas não se manifestam da mesma forma. Por ser um assunto novo, não tem como a gente afirmar qual é essa taxa de transmissão e qual a chance do feto desenvolver a microcefalia”, declarou.

Protocolo de atendimento especial 

O secretário disse que a Semsa tem um protocolo de atendimento e acompanhamento de todos os casos suspeitos de Zika. Mesmo sem a confirmação da doença, cada caso está sendo acompanhado individualmente pelos profissionais de saúde. “O objetivo é evitar uma epidemia da doença, enfocando principalmente na prevenção à infecção pelo Zika Vírus em grávidas. No total, tínhamos 286 casos suspeitos e 60 foram descartados. E as 201 pessoas que ainda estão em suspeita, incluindo 21 gestantes, estão tendo acompanhamento especial da Semsa”, afirmou.

A meta, segundo Homero, é permitir que os pacientes, principalmente mulheres grávidas, recebam atendimento médico e laboratorial o mais rápido possível, além de possibilitar o início imediato das ações dos agentes de endemias na eliminação de focos do mosquito na área onde o caso foi notificado.

De acordo com o fluxograma da Semsa, as gestantes que forem atendidas nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e que apresentarem sintomas para a doença, serão encaminhadas de forma imediata para 15 unidades de referência para atendimento com um médico obstetra, distribuídas nos Distritos de Saúde Sul, Leste, Oeste e Norte.

Logo após o primeiro atendimento médico em qualquer Unidade Básica de Saúde ou nas unidades da rede privada, o profissional de saúde deve realizar de forma imediata a notificação do caso ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), que inicia os procedimentos para investigação epidemiológica e bloqueio mecânico/químico, que consiste na eliminação de locais criadouros do mosquito Aedes num raio de 300 metros em torno do local onde houve registro de casos suspeitos, associados à aplicação de inseticida para eliminação do mosquito Aedes aegypti na fase alada.

“A Vigilância também realiza a investigação de cada caso notificado com uma equipe de profissionais que acompanha o paciente em sua residência para verificar o fluxo de atendimento e os possíveis riscos existentes”, informou a diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae) da Semsa, Angélica Tavares.

Para a realização dos exames laboratoriais, quando necessário, os profissionais do Devae buscam o paciente em sua residência para que realize a coleta de material.

No caso de mulheres grávidas atendidas nas UBSs com sintomas de Zika Vírus, além da notificação, a investigação e o bloqueio químico e mecânico, os procedimentos são mais específicos. Após o primeiro atendimento, o profissional de saúde agenda por telefone, diretamente com o diretor de uma das 15 UBSs de referência, uma consulta com médico obstetra, de preferência para o dia seguinte, quando deverão ser solicitados os exames específicos como a ultrassonografia.

“As UBSs de referência estão monitorando a gestante durante toda a gravidez, até ser descartada ou confirmada a suspeita de microcefalia ou outras complicações. Quando não há confirmação, a paciente deve retornar a UBS do primeiro atendimento para continuar o pré-natal normalmente. No caso de suspeita da doença permanecer, a paciente continua sendo acompanhada pelo profissional especialista até próximo do final da gestação e em seguida é encaminhada para um ambulatório de alto risco para continuar o tratamento”, explicou Angélica Tavares.

O combate em números 

Até o dia 2 de fevereiro, a Semsa havia registrado 1190 denúncias de focos do mosquito Aedes pelo Disque Saúde – 0800 280 8 280. O órgão também está capacitando pessoas para ajudarem no combate ao vetor e já formou 40 brigadas com 255 agentes voluntários. A Vigilância Sanitária de Manaus inspecionou 40 locais com criadouros denunciados, sendo 14 imóveis já autuados.

Unidades referência no Estado 

O diretor presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, que presidiu a reunião, apresentou um relatório de todas as ações encaminhadas para o enfretamento da doença.

Durante a reunião, ficou definido que o Centro Especializado de Reabilitação (CER) da Colônia Antônio Aleixo será unidade de referência para o atendimento de bebês com diagnóstico de microcefalia relacionadas à infecção pelo Zika Vírus. O Centro irá ofertar serviços de estimulação precoce e específicos de reabilitação para os bebês com diagnóstico de microcefalia, informa Bernardino. Ele explica, ainda, que esse tratamento será de longo prazo, uma vez que os pacientes portadores de microcefalia precisam de acompanhamento durante toda a vida.

Também ficou definido que o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) será a unidade de referência para o atendimento oftalmológico dos bebês com diagnóstico de microcefalia em decorrência da infecção pelo Zika Vírus. “Aqueles bebês que apresentarem suspeita de problemas visuais serão encaminhados para a unidade de referência onde terão acesso a exames diagnósticos e acompanhamento médico”, explica Bernardino.

Ele destaca ainda que essas ações fazem parte do trabalho que o Governo do Estado está realizando para organizar a rede de saúde e poder dar o suporte necessário caso venham a surgir casos de bebês com diagnóstico de microcefalia em decorrência da infecção pelo Zika vírus. “Nós não temos casos no interior ainda, mas estamos trabalhando para que, no caso de termos, poder ofertar o atendimento correto”, explica.

Este ano, o estado do Amazonas já registou 330 casos de Dengue. Em Manaus há 158 casos notificados. Em relação ao  Zika Vírus, os casos notificados são de Manaus. Até o momento, não foi notificado nenhum caso suspeito por Febre Chikungunya no Estado.

Roberto Brasil