Porto da Manaus Moderna em debate na CMM

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"Queremos um porto regional com as características próprias e que atenda às demandas da população”, disse Everaldo Farias

“Queremos um porto regional com as características próprias e que atenda às demandas da população”, disse Everaldo Farias

Da Redação – A obra do novo Porto da Manaus Moderna, com um custo de 200 milhões de reais foi tema de debate nesta quinta feira (09), na Câmara Municipal de Manaus (CMM) convocada pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente, Everaldo Farias. O projeto básico da obra, que pode alterar a estrutura histórica e ambiental, a falta de conhecimento do próprio projeto e a não aceitação desta obra no centro da capital marcaram as discussões. Participaram vereadores, representantes do Dnit, Implurb, Ufam, CDLM, Crea, Iphan, Iab, Iaci, dentre outros.

“Um projeto que integre a todos e a falta de acesso à informação sobre o próprio projeto já é uma grande dificuldade para a discussão. muito tempo se falou da obra, mas não foi debatido com a sociedade civil que será a beneficiada. Queremos um porto regional, com as características próprias, e que atenda às demandas da população”, disse o vereador Everaldo Farias.

" o acesso da população ao rio é uma questão importante e não deve ser de forma controlada”, destacou Laurent Troost

“O acesso da população ao rio é uma questão importante e não deve ser de forma controlada”, afirmou Laurent Troost

“É complexo pelas discrepâncias no âmbito municipal e federal. Há possibilidade de atrapalhar os interesses públicos, mas conseguimos enquadrar algumas coisas para chegar ao debate de hoje. O acesso da população ao rio é uma questão importante e não deve ser de forma controlada”, salientou o Diretor de Planejamento da Implurb, Laurent Troost.

O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Estado (Dnit), José Fábio Porto Galvão, propõe a construção de infraestrutura adequada para que a Manaus Moderna possa realizar suas operações de forma segura. O projeto foi consultado com todos os órgãos e instituições desde 2011, tendo as licenças (Implurb, Ipaam e de Manaustrans) e está contemplado no programa de aceleração com verba federal.  Sua área de ação na poligonal vai até próximo ao igarapé do Educandos. São três anos para a execução da obra e o custo é de 200 milhões de reais.

“A cidade que nós queremos é uma que conviva com o rio e o projeto da Manaus Moderna a estrangula", frisou Etelvina Garcia

“A cidade que nós queremos é uma que conviva com o rio e o projeto da Manaus Moderna a estrangula”, frisou Etelvina Garcia

Etelvina Garcia, que participou como cidadã de Manaus na reunião, discorda da localização da obra. “A cidade que nós queremos é uma que conviva com o rio e o projeto da Manaus Moderna a estrangula pelo trânsito nesta área. Queremos um porto para as embarcações. Um porto planejado fora desta área. Destaco o projeto do Prof. João Bosco com polos diferenciados (em São Raimundo e Cachoeirinha)”, frisou.

“Nem a CMM, nem a população conheciam o projeto e queremos discutir a forma, a importância da construção do Porto de Manaus, como irá ser construído, pois o beneficiário final é a população. Há que se democratizar todos os planos para a nossa capital. Ninguém discutiu ainda a concepção do projeto”, disse o vereador Gilmar Nascimento.

"Ninguém discutiu ainda a concepção do projeto”, destacou Gilmar Nascimento

“Ninguém discutiu ainda a concepção do projeto”, destacou Gilmar Nascimento

Projeto original da obra

Aproximadamente 5 mil pessoas utilizam o Porto da Manaus Moderna semanalmente, partindo ou chegando em 600 embarcações regionais, segundo a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental. Há cinco anos, o Ministério Publico do Amazonas constatou danos ambientais neste Porto, ausência e condições precárias de higiene que contribuem para a poluição das águas da orla do Rio Negro e falta fiscalização nas embarcações.

O projeto original da obra do Porto da Manaus Moderna prevê a construção de um terminal portuário no rio Negro até a foz do igarapé do Educandos, com 1.300 metros de atracadouro, desde a saída do Porto de Manaus, em frente ao Mercado Adolpho Lisboa. O projeto traz ainda a abertura de um terminal de passageiros de 500 metros quadrados, um terminal pesqueiro de 800 metros quadrados e câmaras frigoríficas de 240 metros quadrados.

Foi dada autorização para desenvolvimento de anteprojeto, não consistindo em autorização para execução de qualquer obra. (Mercedes Guzmán)

Roberto Brasil