POR QUE OS PARTIDOS VIRARAM O BICHO PAPÃO DA POLÍTICA?

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Ademir-RamosO fato é: Quem não participa leva e depois não pode reclamar por ser pisado como um verme. As pesquisas sistemáticas e a opinião das ruas denunciam total ojeriza aos partidos políticos. O mais grave de tudo é saber que esta organização é uma das plataformas principais da edificação da Democracia. O fato provoca tamanha reflexão, buscando a compreensão das razões que justificam tal rejeição da população e, em particular dos jovens, em se tratando de política partidária.

A Constituição Federal imputa aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento, devendo seu estatuto estabelecer as normas da fidelidade e disciplina partidária. Trata-se de uma organização de Direito Privado, tendo por fim a defesa os direitos fundamentais assegurados na Constituição Federal.

Nesse sentido, pela sua grandeza e importância, o Partido Político não deveria ser um instrumento de combate para que o povo avançasse na luta pela afirmação de seus Direitos quanto ao acesso às políticas públicas, bem como a ampliação destas conquistas sociais, políticas e morais? Por que isto não se faz? Quais são os entraves? Em não se fazendo, quem é o beneficiário direto desta omissão? Estas e outras perguntas não querem calar e exigem de nós respostas para entender esta rejeição, o que não é preciso fazer grande malabarismo teórico para identificar o porquê o Partido Político, que deveria ser o novo Príncipe, se transformou no bicho papão a demonizar o povo e suas lideranças responsáveis.

A começar pelo caciquismo que reina nos partidos, a propugnar pelo pensamento único, não permitindo o debate, a discussão a reinvenção das práticas partidárias. É, na verdade, o mandonismo centrado na família, no patrimonialismo e no servilismo, o que deveria ser parte da polis se transforma na Senzala da Casa Grande. As raízes deste modo de organizar remontam os velhos tempos coloniais. Por isso, é urgente que façamos a Reforma Política de Iniciativa Popular, que resulte na reinvenção dos Partidos quanto ao Sistema Eleitoral – proporcional e majoritário – sua forma de captação de voto, financiamento de campanha, o acesso aos recursos do Fundo Democrático de Campanhas, estas e outras questões estão em pauta na proposta das Eleições Limpas.

Mas, tudo isso, não valerá nada se os políticos com mandatos no governo, no parlamento, no partido e na sociedade não cumprirem com se dever político, moral e ético. E muito mais ainda, se o povo de forma organizado não exercer o seu direito de fiscalizar, de monitorar a conduta destes atores, das relações entre governos e governantes mediados pelo poder popular, não só das eleições, mas dos instrumentos participativos, assim como, o plebiscito, o referendo e os projetos iniciativa popular, com esta força o povo na forma dos Movimentos Sociais é capaz de se afirmar como o soberano, o princípio e o fim da Democracia, deixando de ser o capacho dos oportunistas, que depois de eleitos dão banana ao povo.

 

Roberto Brasil