POLÍTICA, SEXO E PODER

By -

Ademir-Ramos

A cultura política tem no Olimpo uma representação da vida real marcada por relações de poder com múltiplos interesses. Neste imaginário, os deuses são tão pecadores quanto os humanos porque eles seduzem, amam, matam e vivem intensamente o prazer da carne, das artes, do saber e da ciência.

Neste contexto, o poder é finalístico confronta-se com a humanidade inteira, em se tratando do domínio e controle dos bens materiais e simbólicos. A narrativa mítica neste cenário é muito mais representação da condição humana do que revelação dos Céus como querem os cristãos.

POLÍTICA E LIBERDADE: É o caso de Prometeu, que é um dos titãs do Olimpo presente na obra do poeta épico Hesíodo. Em sua construção mitológica, o poeta grego descreve Prometeu como desafiante menor frente à onipotência e onisciência de Zeus.  Certa vez num banquete destinado a selar a paz entre mortais e imortais, Prometeu passou a perna em Zeus, apresentando duas oferendas diferentes para que ele escolhesse uma: A primeira era uma seleção de carne escondida num estômago de boi, enquanto a outra consistia dos ossos do boi, “reluzente gordura” intragável. Zeus “pisou na bola” e escolheu a segunda, abrindo um precedente para os futuros sacrifícios e a partir de então os humanos ficariam com a carne dos animais que sacrificavam, dedicando aos deuses (a Zeus) apenas os ossos. O truque enfureceu o todo poderoso do Olimpo, que retirou o fogo dos humanos como forma de puni-los. Como se dissesse: Ficarás com a carne, mas, o fogo nos pertence. Não satisfeito Prometeu roubou o fogo, devolvendo-o à humanidade. Isto enraiveceu ainda mais Zeus, que enviou Pandora, a primeira mulher, para viver com os homens. Trazida a vida por Hefesto a partir do barro, quando todas as deusas do Olimpo reuniram-se para adorná-la. “Dela descende a geração das femininas mulheres”, escreveu Hesíodo, “dela é a funesta geração e grei das mulheres, grande pena que habita entre homens mortais, parceiras da penúria cruel”. Prometeu como castigo eterno, foi acorrentado a uma rocha, onde seu fígado era devorado cotidianamente por um abutre, em sendo imortal a noite recriava-se. Passado muitas luas, o herói grego Héracles ou Hércules, segundo os romanos, matou a abutre libertando Prometeu do jugo de Zeus e possibilitando aos humanos a luta pela liberdade.

PESQUISA, TERREIROS E PUTEIROS: O enfrentamento entre Zeus e Prometeu no Olimpo não é só uma trama do destino como alguns proclamam em suas interpretações. Preferimos seguir outra leitura movida pela liberdade enquanto motor da história centrada nas relações objetivas e subjetivas na forma de valor e processo no campo político. Nesta circunstância os candidatos em disputa buscam ler os sinais dos tempos com propósito de se convencer de determinada certeza. É o que fazem os políticos modernos que recorrem às pesquisas quantitativa e qualitativa tentando interpretar e compreender as opções eleitorais que se manifestam. No passado os políticos recorriam também aos Terreiros para ouvir os Pai e Mãe Santo com objetivo de se convencer da sua vicissitude, saudando dívidas com os deuses na busca de se reconciliar com o povo ou quem sabe se tornar o mestre da sedução. Outros recorriam aos puteiros, assim como os deuses do Olimpo, traindo a si e os seus no afã de manter domínio e controle de determinada situação, valendo do instrumento da paixão como expediente de captação de voto. Nesta relação alguns políticos do Amazonas acabaram sendo vitimados por suas mulheres, não por seus predicativos. Mas, sobretudo, pela disputa política que encerra o Poder Executivo Municipal e Estadual. Como dissemos, para alguns esta disputa é finalística, não tem limite, vale tudo para se afirmar no Olimpo da política, expropriando do povo seus Direitos Sociais para mantê-lo acorrentado a fome, a miséria e aos favores palacianos, enquanto eles transformam a política no mercado das ilusões. Nesta hora cabe-nos resistir votando contra os abutres da política.

Áida Fernandes