POLÍTICA E RELIGIÃO NO CONTEXTO DAS LUTAS SOCIAIS

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Ademir-RamosA compreensão do mundo requer dos atores uma estreita relação com o real, com aquilo que é. Desta relação, os atores constroem representações que necessariamente devem ser conferidas e testadas para que possamos construir e desenvolver uma leitura do mundo numa perspectiva transformadora. A política neste contexto faz-se revolucionária por se fundamentar na luta dos contrários focada no poder de Estado e da Sociedade Civil Organizada.

No passado, Tomás de Aquino – sec. XIII – sob o império da teologia reduziu a filosofia a sua serva e desta feita instrumentalizou esta matriz do pensamento reflexivo para dar sustentação à religião sob o domínio político do principado eclesiástico dos Papados. Os fatos históricos denunciam a barbárie que foi praticada em nome de Deus e da sua Igreja. Com a decadência do feudalismo e a invenção do mercantilismo, a política ganhou força emancipatória na perspectiva da formação do Estado Nacional, a começar pelo capital intelectual de Maquiavel e Hobbes centrado no esforço de resgatar a política como valor e processo, não mais como dogmática religiosa como bem queria o principado da Igreja Católica, mas, sobretudo, na estratégia de edificação do Estado Nacional movido pela filosofia e pela crítica do Direito amparado na força positiva do Pacto Social.

Nesses termos, tanto a política como a religião são concepções ideológicas que buscam instrumentalizar os meios, visando assegurar de forma hegemônica o domínio e controle do Estado. Desta forma as ralações de poder estão configuradas em torno do Estado.

Os movimentos sociais, ao contrário, impulsionados pela política e/ou pela religião podem também lutar contra estas forças dominantes, tendo por fim o fortalecimento da Sociedade Democrática, delegando poderes e definindo instrumentos de controle vindo assegurar a participação coletiva e social dos cidadãos nos processos de afirmação da soberania popular. Assim sendo, a Política ganha relevância pautada na crítica social mediado pelos Partidos Políticos Responsáveis pelos Movimentos Sociais Republicanos. A religião, por sua vez, de forma dogmática é determinada pelos seus princípios religiosos que petrificam relações de poder caracterizada pela massificação, a reduzir o povo de Deus em rebanho, minimizando o livre arbítrio em favor da submissão e da falsa consciência, a exaltar aos Céus, sonhos e esperanças tão reclamados pelos filhos de Deus para a superação dos pecados do mundo da miséira e da desigualdade social.

Roberto Brasil