Polícia prende babá denunciada por estupro de criança

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Andreice Gomes afirmou que praticou os atos porque a criança a 'ameaçava"

Andreice Gomes afirmou que praticou os atos porque a criança a “ameaçava”

A Polícia Civil do Amazonas, por meio da equipe de investigação da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), prendeu na tarde de segunda-feira, dia 16, a babá Andreice da Silva Gomes, 19, denunciada pelo estupro de uma menina de nove anos. A prisão da jovem ocorreu por volta das 16h30, em um salão de beleza situado na Avenida Sete de Setembro, Centro da cidade, zona Sul da capital.

De acordo com a delegada titular da Depca, Juliana Tuma, as investigações sobre o caso duraram cerca de cinco meses, após denúncia formalizada na especializada pela mãe da vítima, que só teve conhecimento dos abusos após a demissão de Andreice. Conforme a autoridade policial, a infratora era babá de um menino de um ano e seis meses, primo da vítima, e às vezes cuidava da garota, já que todos moravam na mesma casa, localizada no bairro Praça 14 de Janeiro, zona Sul.

“Assim que a infratora foi demitida da residência a criança tomou coragem e contou para a mãe o que havia acontecido. A menina teve dificuldade para relatar os crimes que sofria. Demorou para nós formalizarmos o depoimento dela. Pedimos ajuda de um psicólogo”, informou Tuma.

A titular da Depca explicou que Andreice trabalhou no imóvel por aproximadamente um ano e meio e era considerada uma pessoa de confiança da família. Os abusos teriam ocorrido nos meses de fevereiro e março do ano passado, no final do período de trabalho de Andreice na residência, quando a menina tinha nove anos.

“Descobrimos que a babá cometeu distintos atos libidinosos contra a criança. Houve ruptura do hímen da vítima, compatível com manipulação genital, apontada em relatório emitido por funcionários do Instituto Médico Legal (IML). Ela fotografava a criança em poses sensuais e em posições pornográficas, bem como pedia para que a menina também tirasse fotos dela. Essas imagens foram recuperadas por peritos do Instituto de Criminalística (IC), porque Andreice já as havia apagado do tablet da criança”, explicou a delegada.

Segundo a delegada Juliana Tuma, a babá revelou que fotografava a criança em poses sensuais e em posições pornográficas

Segundo a delegada Juliana Tuma, a babá revelou que fotografava a criança em poses sensuais e em posições pornográficas

Juliana Tuma disse que, em depoimento na unidade policial, a infratora confessou a autoria dos crimes, porém argumentou que cometia os atos libidinosos em razão de ameaça, supostamente feita pela vítima.

“A própria Andreice admitiu a prática, porém deu uma versão que agride no mínimo a lógica e o bom senso, de que só fazia aquilo porque a criança a ameaçava de que inventaria para a mãe que estava sendo abusada sexualmente. É uma versão totalmente surreal. O psicólogo que acompanhou o caso apontou indícios de voyeurismo nas atitudes da Andreice, que consiste na observação de uma pessoa em situações íntimas sem que ela saiba”, declarou.

Tuma explicou que logo após o recebimento da denúncia e do resultado das investigações preliminares que levaram à descoberta das imagens, representou o pedido de prisão em nome da babá. A equipe passou a monitorar a infratora, que chegou a fugir para a casa da mãe, em Maués, município distante 276 quilômetros em linha reta da capital.

“Esse caso nos causou muito espanto porque não é tão corriqueiro ter mulheres na autoria de crimes contra a dignidade sexual, ainda mais no dia que antecede o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual, celebrado em 18 de maio. Felizmente conseguimos lograr êxito nessa prisão, que deixou muito satisfeita a equipe especializada”, argumentou a delegada.

O mandado de prisão em nome de Andreice foi expedido no dia 24 de abril deste ano, pela juíza da Vara Especializada em Crimes contra a Dignidade Sexual de Crianças e Adolescentes, Patrícia Chacon de Oliveira Loureiro.

Andreice foi indiciada por estupro de vulnerável e registro de criança em cenas pornográficas. Após os procedimentos legais, ela será encaminhada ao Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), onde irá permanecer à disposição da Justiça.

Roberto Brasil