Polícia Civil investiga aluguel de táxis para a prática de roubos

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O bandido aluga o táxi do empresário que detém a concessão do veículo, por até R$ 100 a diária, para praticar os assaltos

O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) está investigando a participação de táxis alugados na realização de roubos, em Manaus. A DRCO informou que o bandido aluga o táxi por até R$ 100 a diária, para praticar os assaltos.

De acordo com o delegado Denis Pinho, diretor-adjunto do DRCO, o bandido aluga o táxi do empresário que detém a concessão do veículo. “É uma prática comum”, disse Pinho, acrescentando que os detentores da concessão de táxi alugam o veículo com o intuito de ganhar dinheiro e, com uma diária de R$ 100, conseguem arrecadar cerca de R$ 3 mil por mês.

Segundo o delegado, o aluguel é selado em um contrato de gaveta e o táxi é usado por quem não detém a concessão do transporte. Pinho afirmou que proprietários de táxi podem passar por um processo administrativo. Ainda de acordo com o delegado, a DRCO vai enviar, nos próximos dias, um ofício solicitando informações sobre atuação da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) diante de casos como esses.

Caso recente

Um dos últimos casos noticiados que envolvem aluguel de táxi foi a prisão de Luiz Fernando da Silva Prestes, 21, e Ricardo de Queiroz Barros, 35, presos na última quarta-feira (15), suspeitos de alugar táxi para praticar assaltos na capital.

O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos e Taxistas do Amazonas (Sintax), Luiz Augusto Aguiar, afirmou que ainda precisa tomar conhecimento, detalhadamente, sobre a prisão da PC, mas informou que para o taxista alugar o veículo é necessário credenciar quem está alugando o táxi. “Há profissionais bons e ruins em todos os lugares”, afirmou o sindicalista, acrescentando que, atualmente, “qualquer um pode pegar um carro branco e colocar uma placa de táxi”.

Regras

Em nota, a SMTU informou que para atuar como taxista em Manaus, o motorista tem que estar cadastrado na SMTU, seja como permissionário ou como condutor auxiliar que é indicado pelo permissionário.

Conforme a SMTU, ambos precisam atender os requisitos estabelecidos na legislação municipal nº 2.088 que norteia o serviço.

Para acompanhar essa exigência legal, a SMTU informou que realiza blitze nas ruas, diuturnamente, e caso o motorista do táxi não apresente o documento de identificação do taxista, emitido pela SMTU, o veículo é apreendido e o permissionário é autuado.

“Se ficar comprovado que um  veículo de táxi regularizado está sendo usado para fins indevidos, como a prática de crimes, a permissão é cancelada”, informou, em nota, a SMTU.

Ainda conforme a superintendência, recentemente um delegado de polícia foi vítima de assalto cometido por um taxista e, após instaurar procedimentos administrativos, a SMTU cassou a permissão ao qual o veículo estava vinculado.

Segundo a SMTU, a legislação veda a locação e venda de permissões de táxi. “Em todos os casos, as denuncias precisam chegar a SMTU para que sejam adotadas as providências”, informou a assessoria de imprensa da superintendência.

(D24AM)

Roberto Brasil