PIMENTA NO CUSCUZ DOS ALOPRADOS

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Ademir-RamosVem pra rua e participa de uma das festas mais populares que o povo brasileiro reinventou e que a indústria cultural transformou num grande negócio agregando valor material e simbólico neste turbilhão de alegria e prazer que passa a desmontar a moral e os bons costumes assentados nas aparências das instituições sociais zoneando ainda mais o governo dos aloprados PTistas, que instituiu gravíssimos danos à economia nacional furando o olho e o bolso dos brasileiros. O carnaval é tudo isso e muito mais porque é feito com arte, trabalho, prazer e sarcástico nos modos dos ritos Dionisíacos tal como os Deuses em estado de natureza embriagados pelo hálito da criação a soprar a vida de forma animada ou estática capaz de se organizar sob “o máximo de prazer e o mínimo de dor.” Nesse estado, a imaginação embala a vida fazendo do povo o “rei da folia” contrário à ordem moral constituída como se vivesse numa sociedade sem Estado, bem nos moldes dos ritos tribais tão presentes na formação da cultura brasileira, em particular no nosso Amazonas. A genialidade de Dionísio semeada no campo das culturas afros e indígenas no Brasil criou esta obra de beleza impressa na cadência do samba, frevo, carnaboi, axé music e outras linguagens a se manifestar nas ruas e salões, no público e privado, promovendo a derrocada do “sólido (instituído) que se desmancha no ar (em processo)” e dessa maneira a antropofagia mítica se transforma em atitude cultural a despertar nos agentes mais afoitos a capacidade de reler o mundo com novos óculos de forma eventual, transitória e histórica a exigir mudança com participação e transparência no curso da política e sociedade.

SONHO DE CARNAVAL: Chega fevereiro, o calor dos trópicos invade o corpo, atiçando o espírito para o prazer de brincar o carnaval. O tempero desta alegria é movido por múltiplas substancias que produz uma química a se misturar com o cheiro animal capaz de atrair a presa para o abate muito parecido com rito de acasalamento onde as pessoas se encontram movido pelo mantra do samba e suas variações no repique dos tambores ou pelos acordes da guitarra baiana similar a explosão da natureza dirigida pela vontade de expor o próprio corpo como extensão do prazer e da sexualidade deixando-se orientar mais pelo gosto dos sentidos do que pela seta da racionalidade Apolínea, relativo a Apolo, murmurando nos ouvidos dos foliões amantes o desejo de ser levado pela vida como pluma ou cão sem dono para lugar incerto e desconhecido no embalo de um sonho que finda na terça-feira. O carnaval é esse fenômeno social contagiante que se celebra na rua com sarcasmos e ironia contrapondo-se as instituições tradicionais e ao próprio sistema na figura dos políticos e governantes que se definem pela prática da corrupção e desmandos servindo de munição para manifestações de rua na forma temática das Escolas de Samba, Blocos, Bandas e outros Cordões das folias de Momo. A febre do carnaval ganha às ruas e os clubes mobilizando agentes de várias classes sociais unidos pela folia com muita energia capaz de incendiar as ruas e os salões no ritmo da bateria e ao som dos clarins com muito brilho, serpentina e crítica social.

NUDEZ NO CARNAVAL: O corpo em movimento é o grande espetáculo do carnaval, principalmente, quando se trata de representar a mulher brasileira como estampa do samba, com muito molejo, simpatia e arte. Nessa moldura teatral, a sedução se faz mover pela apoteose que encerra desejo e prazer com gosto de quero mais. No carnaval não há passividade, a alegria é a força motora que arrebenta os corações fazendo “o cabra gemer sem sentir dor.” A visibilidade da nudez neste contexto é mais do que uma provocação é uma exaltação da beleza da mulher, senhora da fortuna capaz de se orientar não só pelo desejo, mas pela competência e arte com astúcia na cabeça e samba no pé certo de que “o que o corpo faz a alma perdoa.” A nudez está nos carros alegóricos no chão da avenida, nas bandas e nos demais cordões da alegria a se representar não mais somente no particular, mas, sobretudo, no imaginário dos agentes enlaçados no enredo do carnaval como expressão da trama social.

POLÍTICA QUE VIROU ZONA: O carnaval é também uma indústria que requer plano de negócios, investimentos, designe artístico e gráfico sob as regras de políticas públicas e/ou privadas. No passado como bem declarava o poeta do samba Noel Rosa (1910-37): “palavra samba tinha sinônimo de mulher. Agora não é mais assim. Há também o dinheiro, a crise.” Significa dizer que qualquer análise do samba ou do carnaval que se faça, é necessário focar na questão social, no controle do mercado, na captação dos investimentos, examinando também o processo de gestão, as condições de trabalho e produção dos artistas que atuam neste segmento produtivo das artes seja nas Escolas e demais organizações que promovem a grandeza do nosso carnaval enquanto fenômeno de massa. O fato que muito tem preocupado os especialistas é o dirigismo cultural dos governantes quanto à intervenção no processo de escolha dos enredos, principalmente, referindo-se às Escolas de Samba que catalisam para si os holofotes da mídia nacional e internacional. Por esta razão tem se multiplicado por todo o Brasil os blocos de rua com grande número de participantes que bem longe das estruturas das Escolas de Samba vem botando a boca no trombone fazendo da rua o grande palco das manifestações com irreverência e sarcasmo nos ritmos das marchinhas e do coração, gozando a cara dos corruptos bandidos que além de mentir também são ladrões da economia popular acelerando mais ainda o desemprego, a miséria e a desigualdade social. Nesta batida inspirado no carnaval como paixão, estilo Noel Rosa, é que o Projeto Jaraqui no sábado, dia 30 de janeiro, às 12h deverá mais uma vez por o seu bloco na Rua, nos arredores da Praça da Polícia, na José Paranaguá, para brincar o carnaval em ritmo das marchinhas premiadas do Jaraqui, botando pimenta no cuscuz dos Aloprados do PT e dos seus comparsas tanto na cadeia, onde se encontram presos, como também no Congresso Nacional, constando na pauta o enredo das Eleições Geral com ou sem Impeachment.

Roberto Brasil