PF indicia José Dirceu, Vaccari e mais 12 pessoas em inquérito na Lava Jato

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O ex-ministro José Dirceu, preso na Lava Jato, durante depoimento à CPI da Petrobras, em Curitiba

O ex-ministro José Dirceu, preso na Lava Jato, durante depoimento à CPI da Petrobras, em Curitiba

A Polícia Federal indiciou nesta terça-feira (1º) o ex-ministro José Dirceu e outras 13 pessoas suspeitas de desvios em contratos da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.

Entre os indiciados, estão também o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, e o empreiteiro Gerson Almada, da Engevix.

O relatório da Polícia Federal, assinado pelo delegado Márcio Adriano Anselmo, diz que a investigação se insere em “um contexto maior de desvio de recursos em que uma estrutura criminosa sistêmica foi inserida no seio estrutura do governo federal”.

No documento, referente a dois inquéritos finalizados nesta terça e já enviados à Justiça Federal no Paraná, a PF concluiu que foram usados cerca de R$ 59 milhões em pagamento de propina dentro do esquema de desvio de recursos na Petrobras. Os policiais estimam, no entanto, que esse valor pode chegar a R$ 80 milhões.

O documento afirma ainda que indicações para cargos públicos na Petrobras geravam “cobrança” de valores de prestadores de serviço para custeio do núcleo criminoso que dirigia o pais”.

A Polícia Federal diz que o ex-ministro foi favorecido em duas frentes. Na primeira, afirma o relatório, ele recebia uma parcela do faturamento das empresas Hope e Personal, que tinham contratos de terceirização com a Petrobras. As duas companhias fecharam o negócio com a estatal por meio dos irmãos Fernando e Olavo Moura, que também foram indiciados.

Na segunda frente, também segundo a investigação, o ex-ministro recebia propina de empreiteiras que faziam obras para a estatal, como a Engevix, OAS, UTC e Odebrecht.

Paralelamente, a PF pediu o afastamento de Roberto Marques, funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo, que é ex-assessor de Dirceu.

A legislação permite o afastamento cautelar de servidores em caso de indiciamento por lavagem de dinheiro.

A Folha apurou que as investigações da PF na Operação Pixuleco continuarão em andamento e pode haver mais indiciamentos em um relatório final, incluindo investigados que não estão presos. Os investigadores tinham um prazo para fazer o indiciamento dos investigados presos, por isso estes dois relatórios finalizados nesta terça (1º) se referem a eles, mas a investigação pode continuar em relação a outros.

PRISÃO

O ex-ministro foi preso há um mês na 17ª fase da Lava Jato, batizada de “Pixuleco”. Dirceu até agora ficou em silêncio ao prestar depoimentos na CPI da Petrobras e à Polícia Federal.

A PF decidiu indiciá-lo sob suspeita de formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Depoimentos do delator Milton Pascowitch, que diz ter intermediado repasses ao ex-ministro, ajudaram a embasar as conclusões da investigação. O delator também foi indiciado.

A reportagem ainda não conseguiu localizar os advogados dos suspeitos.

VEJA 14 OS INDICIADOS

  • José Dirceu
  • Luiz Eduardo de Oliveira e Silva (irmão de Dirceu)
  • Roberto Marques (assessor de Dirceu)
  • Julio Cesar dos Santos (auxiliar de Dirceu)
  • Milton Pascowitch
  • José Adolfo Pascowitch (irmão de Milton)
  • Fernando Moura
  • Olavo Moura
  • Camila Ramos de Oliveira e Silva (filha de Dirceu)
  • Renato Duque
  • João Vaccari Neto
  • Gerson Almada (executivo da Engevix)
  • Cristiano Kok (executivo da Engevix)
  • José Antunes Sobrinho (executivo da Engevix)

OUTRO LADO
Em nota, a defesa do ex-ministro José Dirceu informou que está analisando a denúncia apresentada pela Polícia Federal e se manifestará quando for oportuno. FOLHAPRESS

Roberto Brasil