Petrobras corta fornecimento de gás à térmica que abastece Manaus

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Segundo estatal, a medida foi tomada  devido à inadimplência da Eletrobras e da subsidiária Amazonas Energia

Segundo estatal, a medida foi tomada devido à inadimplência da Eletrobras e da subsidiária Amazonas Energia

A Petrobras informou neste sábado que suspendeu na sexta-feira a oferta de gás natural destinado à usina termelétrica de Aparecida, responsável por parte do fornecimento de energia elétrica em Manaus (AM), devido à falta de pagamentos da Eletrobras. A petroleira estatal afirmou em nota que a Amazonas Energia, que opera a térmica, e sua garantidora, a Eletrobras, estão inadimplentes com a Petrobras. Valores da dívida não foram citados.

Os riscos relacionados ao fornecimento de energia em Manaus, por conta da medida da Petrobras, ainda não estão claros, com a térmica tendo a possibilidade de usar outros combustíveis para a geração. Mas o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou uma nota nesta sábado informando que será mantido o atendimento elétrico às regiões do Amazonas.

O movimento da Petrobras mostra que, após negociações que se arrastam há muito tempo, a nova direção da estatal tomou uma atitude mais dura, tentando encontrar solução para uma dívida do setor elétrico que envolve valores bilionários. A estatal do petróleo afirmou ainda que vem adotando as medidas administrativas e judiciais previstas no contrato para cobrar os débitos acumulados, sem prejuízo da avaliação de propostas para regularização da dívida.

“Assim, para resguardar os seus direitos e seguindo as regras contratuais acordadas entre as partes, a Petrobras realizou a suspensão do fornecimento de gás natural (…), após notificações previstas no contrato”, disse em comunicado à imprensa.

Não foi possível contatar imediatamente um representante das companhias elétricas.

A inadimplência da Eletrobras é mais um problema que a Petrobras enfrenta no setor elétrico.

Recentemente, a estatal questionou uma regra do mercado de energia após deixar de receber valores bilionários ao longo do último ano devido à elevada inadimplência em operações na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que promove acertos financeiros mensais entre as empresas de energia.

A petroleira costuma ter altos valores a receber nessas operações, que enfrentam forte inadimplência desde metade do ano passado. As regras do mercado de energia preveem que os valores não pagos pelos devedores devem ser descontados dos pagamentos feitos aos credores, como a Petrobras.

(Com Reuters)

Roberto Brasil