Pela 1ª vez, brasileiro está entre finalistas do Nobel da Educação

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O professor Nogueira com seus alunos, em Venécia

Ao falar dos pais, os agricultores José Nogueira Filho e Leci da Silva Possebom, o professor Wemerson da Silva Nogueira chora copiosamente. Único brasileiro entre os 10 finalistas do prêmio Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação, ele atribui o feito às lições dadas pelos genitores semi-analfabetos, que sempre estimularam os sete filhos a buscarem conhecimento nos livros.

Aos 26 anos, Nogueira se destacou entre milhares de concorrentes do mundo inteiro por ter desenvolvido um projeto de educação em uma escola municipal em Nova Venécia, no Espírito Santo, capaz de transformar a vida dos alunos e da sociedade local (leia quadro). “Sou filho de família pobre e eles se emocionam demais por verem meu trabalho reconhecido”, diz ele, hoje professor de ciência em uma escola e de uma faculdade. Sua intenção era aumentar o interesse dos alunos das comunidades carentes. Conseguiu mais: diminuiu o envolvimento deles com drogas e crimes.

“Quando eu era criança, havia uma regra em casa: ou estuda ou vai para a roça capinar. Acho este trabalho digno, mas eu queria ter outro futuro”, diz. Ao ser indicado, na escola pública, para ser monitor de turma, o futuro educador reconheceu sua aptidão. Quando chegou a sua vez de ser mestre, identificou o pouco interesse dos adolescentes pelo método tradicional de aprendizagem e partiu para as ruas, além das salas de aulas e laboratórios. Valia tudo, desde que percebesse que os alunos estivessem interagindo e estabelecendo intimidade com o saber. Muitos deles estão, hoje, em universidades.

Novos projetos

Para estar entre os 10 selecionados, Nogueira venceu milhares de candidatos de 179 países. O nome do ganhador será divulgado dia 19 de março, em Dubai. Caso seja o brasileiro, o investimento do prêmio de US$ 1 milhão – pouco mais de R$ 3 milhões – já está definido. “Fazer mestrado e doutorado, que possam aumentar meu conhecimento. Construir um laboratório de ciência e tecnologia para atender escolas carentes. E criar uma fundação para promover a capacitação de educação inovadora, em parceria com governos.”

Projeto inovador

Alguns resultados produzidos, em quatro anos, pelo programa “Jovens Cientistas: Projetando um Futuro Novo”, idealizado pelo professor Nogueira em parceria com pais de alunos e corpo da Escola Municipal Bairro Alto, em Nova Venécia (ES):

  • 90% dos estudantes deixaram de ter ligações com drogas e crimes;
  • 70% foi a diminuição do índice de violência e tráfico na cidade

Da ISTOÉ

Roberto Brasil