Parlamento Amazônico cobra Anac e companhias aéreas sobre escassez de voos na região

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Dep. Sinésio Campos

Dep. Sinésio Campos

Com 62 municípios e 1,5 milhão de quilômetros quadrados, o Amazonas tem apenas oito cidades com aeroportos que recebem voos regulares. Os outros 54 municípios dependem de voos fretados em aeronaves de pequeno porte, de táxi aéreo. Situação similar é vivenciada nos outros oito estados que compõem a Amazônia Legal e será alvo de investigação de deputados estaduais de nove assembleias legislativas.

Para ampliar a oferta de voos na Amazônia e resolver outras demandas relativas ao transporte aéreo da região, o deputado estadual pelo Amazonas e presidente do Parlamento Amazônico, Sinésio Campos (PT), vai convocar as companhias aéreas que atuam na região, como Azul e MAP, além da Agência Nacional de Aviação Aérea (Anac), para esclarecimento na primeira assembleia-geral do Parlamento Amazônico. O encontro será em 20 de agosto, em Boa Vista (RR), na sede da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima.

“O interior dos estados da Amazônia é praticamente ignorado pelas companhias áreas. No Amazonas, por exemplo, as empresas têm incentivo do governo estadual para comprar combustível. Se for preciso vamos rever se essas empresas merecem esse incentivo, já que não se preocupam em atender nosso Estado”, declarou Sinésio.

Nesta semana a empresa Azul anunciou que conseguiu autorização da Anac para ampliar sua atuação internacional. A empresa passa a oferecer voos regulares de Guarulhos (SP) para Orlando, nos Estados Unidos. O presidente do Parlamento Amazônico avaliou a notícia como “uma prova de que a empresa não está muito interessada no interior da Amazônia”.

“Eles possuem incentivo local para combustível, deveriam no mínimo investir aqui, ampliar a oferta de voos aqui. Ainda tem a questão do preço da passagem, que são caríssimas. As empresas têm incentivo do governo local, mas cobram mais caro em viagens locais que para fora do Estado. É algo que também será questionado”, garantiu Sinésio. 

Saúde

Manaus, Tefé, Tabatinga, Parintins, Lábrea, Carauari, Humaitá e Manicoré são as cidades do Amazonas com voos regulares em aeronaves de médio e grande porte. Mas há unidades da federação onde a situação é pior.

“Em estados menores, como Roraima e Amapá, a questão é ainda pior em relação à falta de voos regulares. As companhias aéreas precisam olhar com atenção para os amazônidas. Como um doente precisando de atendimento emergencial é tratado no interior desses estados quando não tem médico no lugar? Infelizmente não é [tratado]. Fica sem atendimento”, apontou o presidente do Parlamento Amazônico. 

Parlamento Amazônico

A escassez de voos regulares na região é uma das pautas da primeira assembleia-geral do Parlamento Amazônico no atual biênio (2015-2016), em Boa Vista (RR).

Presidido pelo deputado Sinésio Campos, o Parlamento Amazônico é formado por deputados estaduais dos nove estados que compõem a Amazônia Legal brasileira: Amazonas, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Pará, Maranhão e Tocantins. O grupo busca soluções para problemas vivenciados na Amazônia, com alternativas que aliem desenvolvimento sustentável e crescimento econômico.

Roberto Brasil