Pai que perdeu o filho na boate Kiss é processado por promotor

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Paulo Carvalho está sendo acusado de calúnia, junto com outros dos pais, por promotores de Santa Maria (RS) que se sentiram ofendidos com reclamações e protestos sobre a tragédia

Paulo, que é diretor jurídico da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, era pai de Rafael Paulo Nunes de Carvalho, 32. Em entrevista ao BuzzFeed Brasil ele disse que está sendo denunciado por causa de um artigo publicado nos principais jornais de Santa Maria. “Não basta perder a vida de filhos, ainda precisam que nós paguemos por isso”.

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O Ministério Público do Rio Grande do Sul confirmou por meio de sua assessoria que a denúncia foi feita

As denúncias foram motivadas por representações dos promotores Joel Dutra e Maurício Trevisan, de Santa Maria, que se sentiram ofendidos e acusados injustamente de prevaricação (crime cometido por funcionário público quando este deixa de fazer seu trabalho).

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Da esquerda para à direita, os promotores Joel Dutra e Maurício Trevisan

O presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Sérgio da Silva, e o presidente do Movimento Santa Maria do Luto à Luta, Flávio José da Silva estão sendo acusados de calúnia e crime contra a honra.

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“Pais de crianças mortas como insetos numa ratoeira humana serão acusados por terem exposto sua dor em um cartaz”. Ananda Müller, jornalista que cobriu a tragédia na época

Os cartazes exibiam uma foto do promotor com a frase: “O Ministério Público e seus Promotores também sabiam que a boate estava funcionando de forma irregular”. Eles devem comparecer a uma audiência no início de outubro.

Em 2013, um dos sócios da boate Kiss pediu apuração da responsabilidade do promotor Ricardo Lozza no incêndio. A alegação citava que, em 2011, a boate Kiss já apresentava irregularidades e poderia ter sido interditada pelo Ministério Público. A solicitação foi arquivada. BuzzFeed Brasil

Áida Fernandes