OS ALOPRADOS E OS REITORÁVEIS DA UFAM

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Ademir-RamosConvenhamos, o conceito pode não ser o mais adequado para definir manifestações comportamentais que ponham em risco a estabilidade institucional de determinada liderança, mas, suas determinações tornaram-se populares a partir do momento em que o presidente do PT Lula da Silva qualificou um dos seus companheiros de aloprado por transportar dólares na cueca, comprometendo a própria estrela do partido, em se tratando de suposta verba para despesa extra de campanha. Além do desconforto; o “companheiro” achando-se amigo do rei pensou que podia tudo, inclusive passa a perna na Justiça Eleitoral, transportando dólares nas partes pudicas para suposta compra de votos.

QUEM SÃO OS ALOPRADOS: Os aloprados são entes operantes que agem por interesses individuais imediatos ou movidos por outros na perspectiva de se afirmarem numa determinada posição, no caso da greve da UFAM alguns reitoráveis foram atiçados por promessas de apoio para a próxima eleição da Reitoria e o pior de tudo que eles acreditaram e “como boi de piranha” foram penalizados pelos próprios atos. Não sei de fato se a narrativa traduz com fidelidade o que vem ocorrendo na greve da UFAM, especificamente sobre os últimos acontecimentos ocorridos relativos à convocação da Reunião Extraordinária do Conselho Superior Universitário (CONSUNI), quando se deveria discutir e votar na sexta-feira (3) a suspensão do calendário acadêmico e com isso de forma dialógica construir uma plataforma de propostas focadas na defesa da Universidade Pública enquanto protagonista da ciência, educação e cultura articuladas com o público e o privado, na perspectiva de qualificar ainda mais os atores locais para serem os agentes formuladores, produtivos e beneficiários deste processo de desenvolvimento justo e sustentável.

No entanto, o que se viu foi um verdadeiro festival de afronta a Autonomia da Universidade, prerrogativa constitucional que muito custou para que fosse assegurada às Universidades Públicas “a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial (…)” nos termos do Art. 207 da nossa Constituição Federal.

INTERVENÇÃO JUDICIAL: O Mandado de Segurança Individual impetrado no Tribunal Regional Federal da Primeira Região, ato requerido pelo Diretório Central dos Estudantes, Centro Acadêmico de Direito, 17 de janeiro, Centro Acadêmico de Medicina Humberto Mendonça, Cicero Augusto Mota Cavalcante (Diretor do Instituto de Ciências Exata) e o professor Adriano Fernandes Ferreira, contra a Reitora Márcia Perales (impetrada) feriu de morte a Autonomia da UFAM, usurpando o poder de mando da Reitoria em conduzir de forma colegiada a situação da greve reconhecida pela própria justiça como legal e legitima, em se tratando das garantias de melhoria de trabalho e da defesa da própria Universidade.

A verticalização do ato na forma de intervenção judicial com pedido de liminar concedido pela juíza Marília Gurgel, no dia 1 de julho de 2015, instituiu a mordaça na UFAM, determinando que na reunião extraordinária do CONSUNI da sexta-feira (3), a Reitora Márcia Perales abstenha-se de suspender o calendário acadêmico, sob pena de responsabilização criminal, civil e político-administrativa. Com este ato de força requerido também pelo professor Cícero Augusto, diretor do Instituto de Ciências Exatas que, segundo seus pares, seria um dos reitoráveis junto com a professora Selma Baçal, diretora da Faculdade de Educação, aquela que de forma aloprada qualificou a UFAM como Universidade periférica, parece que viram seus projetos rolarem de ladeira abaixo com se tivessem jogado a “água da bacia com a criança dentro”.

A FORÇA DA GREVE: É bom lembrar que a greve da UFAM é nacional sob a direção do ANDES – Sindicato Nacional, no Amazonas quem responde pela greve dos docentes é a ADUA – Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas -, que integra o Comando Local de Greve. Quanto à legalidade e legitimidade da greve, a Procuradora da República do MPF Bruna Menezes Gomes da Silva, assim se pronunciou no dia 29 de junho de 2015, afirmando em Ata que “(…) não há até o presente momento qualquer evidência de ilegalidade no movimento grevista”.

A luta dos professores, técnico-administrativos e alunos da UFAM que apoiam à greve, em defesa da qualidade das Instituições Federais de Ensino Superior ganha força cada dia. A intervenção jurídica concedida em forma de liminar, amordaçando o CONSUNI deve ser superada em breve, quando na próxima sexta-feira (10), a reitoria deva convocar a reunião ordinária do CONSUNI e, possivelmente, faça inserir em pauta a suspensão do calendário acadêmico e desta forma resgate a autonomia da UFAM, assegurando o cumprimento do calendário seguido de sua reprogramação após o término da greve, afastando qualquer medida oportunista dos aloprados que alegam ter cumprido os 75% da carga horária e por isso acham-se no direito de gozar o recesso na boa.

Roberto Brasil