Onças Preta e Pintada são destaques da primeira noite do V Fincata em Tabatinga

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Fincata-Tbt01Cerca de dez mil pessoas segundo cálculos da organização assistiram a primeira noite da disputa entre as associações folclóricas Onça Preta e Onça Pintada encerrado na madrugada desta sexta-feira (12/09) como uma das atrações do V Festival Interamericano de Cultura e Arte de Tabatinga, Fincata.

O festival realizado pela Prefeitura de Tabatinga, município localizado a 1.100 km de Manaus, região do Alto Solimões é um dos mais importantes na tríplice fronteira do Brasil, Colômbia e Peru. A estrutura de apresentação das associações é similar as apresentações de bois bumbás em um dimensão menor, onde a tônica são as representações indígenas, com suas histórias, lendas e costumes. Cada onça tem o tempo de apresentação de 2h30.

Onca-Pintada_0406O Festival que será encerrado neste sábado (13/09) é realizado no Centro Cultural Presidente Lula, uma arena similar que lembra em proporções reduzidas do bumbódromo de Parintins batizado de “Onçódromo”.

A festa foi aberta pela banda de música do 8º. Batalhão de Infantaria de Selva sediado na cidade. O festival se divide na apresentação de bandas, cantores e humorista e a parte competitiva das onças.

Onca-Pintada_0818A primeira a abrir a noite da disputa foi a Onça Preta representando a etnia Ticuna, predominante na região com cerca de 700 brincantes. Com o tema “Pesca, o poder da Criação”, a onça conduzida pelo “apresentador tribal”, radialista Jota Ferreira, abriu sua apresentação com uma cênica com a lenda sobre a origem do Rio Amazonas segundo os Ticunas por um casal representando o Sol e a Lua.

Onca-Pintada_0300Um dos pontos altos da onça com as cores azul e branca foi a representação da origem do povo Ticuna. Uma alegoria representou o Deus Yo’i que segundo a tradição oral da etnia “pescou” os primeiros Ticunas do lago Eware, localizado na região, com o pajé interpretado pelo benjaminense Isaias Abensur, o Badu (pajé do Boi Bumbá Mangangá de Benjamin Constant) personificando o “Deus Yo’i”.

Onca-Preta_0119Dentro da estrutura, a onça apresentou diversas clãs que formam o povo ticuna.

Os itens femininos são os principais destaques das onças, como a Moça Nova, rainha da batucada tribal e porta-estandarte e índia guerreira.

Onca-Preta_0198Onça Pintada – Fechando a noite a Onça Pintada representando a etnia Omágua e com cerca de 500 brincantes e dez tribos, trouxe como tema “Omáguas, um canto pela vida”, etnia que está em fase crítica de extinção.
A Onça cujas cores são vermelha e branca apresentou diversas tribos representando diversas etnias existentes no Amazonas teve como apresentador tribal o radialista benjaminense Almeci Marques.

Um dos pontos altos de sua apresentação foi a tribo coreografada Omágua, após ter problemas com a alegoria representando o “Curupira” que deveria entrar pela arquibancada.

Onca-Preta_0206As duas onças trouxeram para arena levantadores de toadas de Parintins, que no festival são denominados cantor tribal. A Onça Preta foi defendida por Gilson Matos integrante do cast de levantadores do Boi Bumbá Garantido. Já a Onça Pintada recorreu para seus cantos, o levantador Edmundo Oran do Boi Bumbá Caprihoso.

Roberto Brasil