Oficina propõe integrar a família na ressocialização de jovens infratores

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Pais e familiares de adolescentes das cinco unidades do sistema socioeducacional de Manaus participaram, na manhã desta quinta-feira, 29, de uma oficina promovida pelo Núcleo de Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), no auditório da Universidade Paulista, na zona Centro-Sul da cidade.

O encontro, realizado em parceria com o Ministério da Saúde e Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), buscou discutir com os familiares a questão da corresponsabilidade na ressocialização dos adolescentes privados de liberdade.

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“Com a família envolvida, o resultado aparece e é muito positivo. Queremos despertar os familiares para uma reflexão, a partir do olhar interno de cada um. A orientação da secretaria é para que todas as unidades dos nossos Distritos de Saúde façam o atendimento e acompanhamento permanente desses jovens”, ressaltou a diretora em exercício do Departamento de Atenção Primária da Semsa, enfermeira Adriana Dias.

A oficina foi a segunda etapa de um projeto que visa ampliar a rede de atendimento aos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas determinadas pela Justiça em razão de atos infracionais. “É muito importante que a família interaja nesse processo de ressocialização. Não adianta só obedecermos aquilo que o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal preconizam. O apoio familiar é fundamental para que esses jovens voltem ao convívio em sociedade, sem cometer novas infrações”, explicou a secretária adjunta da Sejusc, Socorro Cavalcante.

Como parte da programação, foi realizada uma dinâmica integrativa com o pratictioner de neurociência e consultor comportamental, Adi Lancaster, membro do Instituto Internacional do Comportamento Humano. Um dos temas abordados por ele foi a “Inteligência do Relacionamento Familiar”, no qual ele destacou a necessidade do diálogo como forma de integração entre os membros de uma família. A tecnologia, segundo ele, vem isolando, cada dia mais, os indivíduos de um mesmo núcleo familiar. “Hoje, 70% das relações familiares são monossilábicas, o que prejudica a saúde relacional, e é um comportamento típico de uma relação doente”, afirmou Lancaster.

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Um dos participantes da oficina, Francisco das Chagas Melo, 35, tem um cunhado, de 15 anos, cumprindo medida no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa. Para ele, atividades como a de hoje representam um avanço no sistema socioeducacional. “Ótimo esse incentivo para as famílias. Por mim, haveria um evento todo mês, orientando não só os jovens, mas nós, que temos a responsabilidade de orientá-los”, disse.

Em Manaus são cinco as Unidades de Atendimento Socioeducativo no Sistema do Meio Fechado (internação): Dagmar Feitosa, no Alvorada I; Senador Raimundo Parente, na Cidade Nova II; Marise Mendes (feminino), no D. Pedro; Centro Socioeducativo de Semiliberdade, na avenida Constantino Nery e Unidade de Internação Provisória, na Estrada dos Franceses.

Em todas elas, os atendimentos e acompanhamentos médicos e odontológicos dos jovens são realizados pelas Unidades Básicas de Saúde da Prefeitura de Manaus, que foi habilitada para o atendimento na Atenção Integral à Saúde de adolescentes em conflito com a lei, por meio da Portaria Ministerial nº 129 de fevereiro 2015.

Áida Fernandes