Obra de hospital no Careiro da Várzea está parada há mais de uma década

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Da Redação – Segundo os moradores da comunidade Miracaueira, no Careiro da Várzea, ninguém pode nascer ali porque não existe uma maternidade e a obra do hospital que é de responsabilidade do Estado está paralisada. Esse cenário difícil é enfrentado dia a dia pelos comunitários que esperam um dia melhorar.

O registro foi neste sexta-feira (10) numa ação social na Escola Municipal Domingo José de Souza, na comunidade Miracaueira, realizada pelos Amigos Solidários em parceria com a União Geral dos Trabalhadores (UGT), secretarias municipais. Participou também desta ação o vereador Jacob Pereira da Silva (PSDB).

A secretaria de Assuntos Comunitários da UGT, Pedrinha Lasmar, disse que esta ação social dentro das comunidades é muito importante. “Assim podemos conhecer as dificuldades enfrentadas pelos moradores e assim pretendemos levar as demandas ao poder público para melhorar a qualidade de vida das pessoas do interior. Também apoiamos as campanhas de prevenção da saúde, agora o Novembro Azul, e realizamos palestras educativas”.

Produtores rurais e pescadores demandam atenção do Estado

“Agradeço ao Blog da Floresta por chegar nesta comunidade. Aqui os homens trabalham na pesca e agora estão atentos ao Seguro Defeso. É difícil a pesca, pois quando o rio esta enchendo os peixes se espalham e quando a seca chega não tem mais peixes. Os agricultores precisam de mais apoio do Governo. O Idam não está vindo aqui como antes para acompanhar o trabalho do produtor rural. O Senac esteve nestes últimos tempos capacitando os produtores rurais e firmaram parceria com a Prefeitura para ter o cadastro ambiental rural e estaremos atendendo novamente a partir da próxima segunda feira”, salientou o vereador Jacob Silva.

“Os agricultores precisam de mais apoio do Governo”, afirmou o vereador Jacob Silva

A secretária municipal de Assistência Social, Conceição Leite, falou das dificuldades das comunidades quanto à logística nos períodos de cheia e seca. “A maioria sobrevive graças ao Bolsa Família. A maior dificuldade é o desemprego e estas ações sociais itinerantes nas comunidades amenizam as carências. A demanda na área de saúde é de oftalmologista e cardiologista. A Prefeitura está encarando essa difícil situação com cursos de capacitação especialmente para os jovens. Estamos desde fevereiro com cursos de informática avançada. Outras demandas são exames de mamografia para as mulheres e o funcionamento de um hospital para realizar outros exames específicos. A Prefeitura distribui cesta básica e estamos com o projeto de zumba para atividade física”.

Escola precisa de reforma e manutenção

O diretor da Escola Domingo José de Souza, Alcimar Almeida de Oliveira, disse que são atendidos 115 alunos, divididos em três turnos, sendo o último da noite em parceria com a UEA para jovens de até 16 anos (ensino médio completo). Destacou ainda o programa do Governo Federal “Mais Educação” com aulas de reforço em matemática e português para alunos. Também há atividades esportivas como o handbol, futsal e atletismo. Alunos das comunidades Igarapé-Açu, São Sebastiao, Bangú e Assembleia de Deus frequentam a escola.

“Uma das dificuldades é a conexão da internet por conta do aparelho em reparação”, disse o diretor. Ele anunciou ainda outras novas atividades como a fanfarra e cursos técnicos (pintura, confecção de materiais e outros) com a contratação de monitores específicos e com recursos federais.

“Iniciamos o ano com 90% dos aparelhos de ar-condicionado com deficiência. Estes são antigos, mas o Prefeito sabe da situação e prometeu atender a nossa demanda. Também faltam cadeiras e mesas no refeitório para os alunos”, salientou Alcimar Oliveira.

Uma das dificuldades que observou o diretor é a falta de acompanhamento dos pais. “A maioria é agricultor ou pescador e não contam com tempo suficiente para acompanhar o desempenho dos seus filhos. A demanda dos alunos refere-se mais a espaços para o esporte como quadras e um ambiente climatizado para estudar.”

População sofre pela falta do hospital

A obra do hospital de Careiro da Várzea está paralisada há mais de uma década, segundo vários moradores. O Secretario de Saúde, Nato Leite, disse que ela não é responsabilidade do município e sim do Estado. Informou ainda que uma UBS está atendendo os ribeirinhos mesmo sem estar completamente equipada e neste município já superaram uma fase critica da malária, mas ainda há casos de diarréia por conta do consumo da água dos poços artesianos.

A atenção em saúde no Careiro da Várzea é básica e de prevenção, informa o secretário de saúde. “O Programa Saúde na Família atende os serviços básicos e os casos de média e alta complexidade assim como emergências são transferidos para Manaus. Isto é feito há muito tempo e a Prefeitura arca com os gastos do transporte até o Porto da Ceasa e dai o Samu leva para o Hospital”, disse.

São sete médicos, cinco dentistas, sete enfermeiras formando a equipe municipal de saúde. O Secretário agradeceu ao Prefeito pela UBS Fluvial que estará completamente equipada atendendo aos ribeirinhos, assim como também a entrega de duas UBSs terrestres brevemente uma no quilômetro.

Segundo explicou o Secretário, o Careiro da Várzea é um município diferenciado por conta da seca e enchente que atravessa a cada seis meses, o que ocasiona algumas dificuldades para os moradores, como é o caso da água armazenada nos poços artesianos e que é contaminada quando tem muita água e quando tem seca também sofrem pela falta de água. Neste sentido, a Prefeitura oferece hipoclorito e orienta as pessoas para o consumo de água tratada, no entanto ainda há muitos casos de diarreia apesar dos esforços.

Por: Mercedes Guzmán

Roberto Brasil