O QUE FAZER PARA ENFRENTAR A CRISE

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Ademir-RamosA família, a empresa, o País em crise resulta de uma cadeia de desatino motivado pela arrogância, desmando e o “diabo da pavulagem”. O caboco gasta além da conta engana um aqui, outro ali até o dia em que ele é grampado e aí é chamado à responsabilidade, acabando com a farra. Estes desatinos provocam na economia privada e pública ações desestruturantes nas relações afetivas, comerciais e de governo, chamando os atingidos à racionalidade para saldar suas dívidas e viver do “suor do seu trabalho” comendo “o pão que o diabo amassou”. O trabalhador direto vive do seu salário, o empresário vive da margem de lucro de sua empresa e o Estado vive dos impostos arrecadados do produto, comércio e serviço. A crise representa um corte profundo na artéria principal de um corpo vivo, que se não cuidado em tempo pode levar a morte o paciente colocando em xeque todo o sistema de organização da economia política a começar pela gestão do Estado, comprometendo as estrutura dos Poderes Constituídos com graves danos na indústria, comércio e na própria família. Nas sociedades industrializadas a troca e a reciprocidade das relações estão cada vez mais dependentes de um sistema econômico e político do qual somos às vezes mais objetos do que sujeito. Veja o caso do Amazonas que por incompetência e por vício de seus governantes, passado aproximadamente 50 anos, não criaram condições objetivas para desenvolver formas econômicas sustentáveis, diversificando a economia local numa perspectiva de mercado que agregasse valor aos produtos e serviços como parte da economia mundial, com retorno imediato aos empreendedores regionais. Estes governantes do Amazonas seguido de seus grupos políticos chuparam ao máximo as tetas da Zona Franca de Manaus exaurindo quase todo o seu recurso, comprometendo a competitividade das empresas no mercado mundial e por consequência ameaçando de morte o desenvolvimento do nosso Amazonas.
A MEDIOCRIDADE DOS GOVERNANTES é a razão de nossa extrema pobreza ou como queiram os formuladores de políticas públicas ao qualificar esta prática enquanto “exclusão social” de nossa gente. Assim sendo, com aval destes políticos carniceiros registramos a cada dia a exploração não só do trabalho, como também, do saque do patrimônio material da floresta, acelerando mais ainda nossa dependência em relação aos centros neocoloniais condenando-nos ao atraso como “região das veias abertas”, que existe em função do outro como reserva de matéria prima para suprir as corporações internacionais em detrimento da qualidade de vida das comunidades históricas que habitam o território Amazônico. Esta desgraça provoca cicatrizes profundas na alma do nosso povo impedindo “que se veja a outra margem do rio” e com isto passamos a repetir o mesmo erro como dantes, copiando modelos europeus ou americanizados para implantar por estas paragens, enriquecendo unicamente os atravessadores que na verdade são testas de ferra de corporações internacionais. Foi assim no Ciclo da Borracha e, respeitando sua especificidade, tem sido assim também na Zona Franca de Manaus. O fato é que o sistema acumula muito mais, gerando riqueza para alguns e multiplicando a pobreza para a maioria, inviabilizando ainda mais o acesso à saúde, educação, segurança, cultura e demais políticas públicas como Dever de Estado a ser feito em atenção a nossa gente. Em Manaus, o impacto da crise apresenta-se de forma mais escandalosa porque toda a nossa economia depende da produção do Polo Industrial de Manaus, que além de gerar emprego também gera tributos beneficiando diretamente o governo do Estado. Com a crise a torneira fecha, desempregando mais de 30 mil trabalhadores diretos e sem trabalho não há produção e o governo deixa de arrecadar, cortando aqui e acolá pra ver se no final do semestre às contas batem. O pior ainda é a situação dos municípios que vivem de repasse federal e estadual, em não havendo, as Prefeituras não podem cumprir com o seu dever, gerando total instabilidade a sociedade local. Somado a isto tudo se registra também o grau de periculosidade de alguns políticos, que além de pouco ou nada fazerem para mudar o quadro valem-se da crise para assaltar o cofre público. Nesta circunstância, a corrupção tem sido regra recorrente. Por isto, a Controladoria – Geral da União (Ministério da Transparência), o Ministério Público e os meios de comunicação social têm agido como instrumento de controle social com propósito de coibir estes desmandos, zelando pela coisa pública nos termos da Constituição e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A CRISE TEM QUE SER REPENSADA não só como problema, mas, sobretudo, como desafio a ser vencida com criatividade, participação coletiva, estratégia qualificada e outras tratativas amparadas no diálogo (transparência), reciprocidade (responsabilidade) e respeito mútuo sob controle da força moral da coletividade inserida no processo em discussão e, quando possível recorremos à força da lei, mas nestas horas, nos parece que vale muito mais as decisões acordadas coletivamente do que o grito e o mandonismo de lideranças autoritárias que se escondem atrás de uma função de Estado. O fato é que a saída da crise é coletiva e requer do governo do Estado o cumprimento de sua função enquanto direção política, moral e ética apresentando metas e estratégias que respondam de imediata as condições básicas – trabalho, segurança, saúde, cultura, moradia, educação, etc. – reordenando as estruturas de poder em função não só das necessidades, mas, oferecendo os meios para que as comunidades por meios de suas organizações discutem o que fazer e como fazer numa perspectiva de negócio orientado mais pelo valor de uso do que pelo lastro da margem de lucro das trocas mercantis. Na verdade, o estado de crise requer do Estado de forma imediato o poder de polícia, operando regularmente no combate ao crime e a qualquer tentativa de saque, ao furto e ao roubo. É necessário que o povo sinta-se seguro e protegido senão a crise converte-se numa guerra social. No Amazonas, em particular na capital do Estado, pela sua dimensão requer que o Governo Melo e o Prefeito Arthur Neto repactue suas ações, claro respeitando a especificidade de cada ente federado, mas juntos e organizado possam criar instrumentos públicos de combate à crise focando na segurança pública de imediato, na discussão das Questões Sociais agregando entidades públicas e privadas como o sistema S, as universidades públicas e particulares e outras forças que possam contribuir não só para situações empreendedoras focada na mobilização da sociedade, em atenção à segurança, oportunidade de troca e negócio, visando à circulação de bens na própria comunidade. Para que isto aconteça faz-se necessário que se formule muito mais do que reformas pontuais é preciso pensar, conceber e fazer acontecer Programas Sociais de Estado e Sociedade formulando estratégia de superação da crise. Para isso devesse recorrer às mídias sociais, lembrando que o trabalho deve ser feito por brigadas assentadas em cada Zona da Cidade sobre o controle e gerenciamento das próprias secretárias de governo. Simultaneamente o interior bem que poderia ser contemplado com a mesma determinação. Coragem e inteligência não nos faltem nestas horas.

Roberto Brasil