O PRESENTE E FUTURO DO BRASIL

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Ademir-RamosO ex-presidente Lula da Silva, a estrela maior do PT, por contrariar a ordem da justiça foi obrigado a depor na Polícia Federal (PF), no Aeroporto de Congonhas, acompanhado do seu advogado conforme garante a lei. O cumprimento do mandado ocorreu na sexta-feira (4), em São Paulo, quando a PF a partir das 6h da manhã acordou o ex-presidente, conduzindo o Ptista sob vara a prestar declarações sobre os crimes do qual vem sendo acusado na Operação Lava Jato.  Depois de 3 horas de depoimento, o ex-presidente foi liberado dirigindo-se para a sede do PT, de onde proferiu discurso por mais de 40 minutos dando a sua versão dos fatos. Em sua fala, o Lula afrontou a decisão da justiça, fazendo de tudo para desqualificar o Juiz Sérgio Moro e com isto desmoralizar o ato do judiciário, acusando publicamente de se tratar de pirotecnia em conluio com a Globo e outras empresas de comunicação do País. O ex-presidente da república com a língua afiada recorreu ao velho chavão das lideranças populistas, que para se afirmar com as massas acusavam as elites de preconceito e discriminação, exaltando a política social compensatória que promoveu em atenção aos excluídos. Indignado e se considerando um prisioneiro, Lula convocou os militantes do PT a levantarem a cabeça e partirem pra luta. Tais declarações do líder petista incitaram os confrontos por todo o Brasil, transformando seus seguidores em verdadeiras patrulhas de rua, perseguindo e ferindo qualquer cidadão contrário ao Lulismo. O Lula fala o que quer só não explica a corrupção no seu governo e muito menos os pixulecos repassados pelas construtoras de que vem sendo acusado nos autos da Lava Jato. Aparentemente, não se deixando abater, usando com eficiência a mídia, o Lula se compara com uma Jararaca e provoca mais uma vez o poder Judiciário, afirmando que: “Se quiseram matar a jararaca, não fizeram direito, pois não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva.”

A JARARACA PTISTA: Surpreendido pela vara da Justiça, o líder petista tentou transformar “a limonada em caipirinha”, posando-se de vítima, buscando no imaginário da cultura popular uma representação que lhe afirmasse perante a massa como símbolo de resistência foi quando se comparou a uma Jararaca, bicho traiçoeiro e peçonhento capaz de matar sua presa, quando não há o antídoto de imediato. Na Democracia o antídoto opera pela força do Direito e pela consecução da Justiça, não permitindo que ninguém absolutamente ninguém se julgue acima da Lei e promova a traição dos valores e princípios republicanos afrontando as instituições do Poder Judiciário. Este modo petista de governar junto às massas é o que o professor André Singer (2012) analisou em seu tratado acadêmico, chamado “Os sentidos do Lulismo”. Para ele o Lulismo parte de um grau tão elevado de miséria e desigualdade, que dilui a polarização esquerda-direita, primando pela “polarização entre ricos e pobres”. É neste contexto que se entende o Lulismo enquanto um governo populista pautado nas seguintes determinações, veja: a) comporta-se de forma personalista e às vezes messiânico em relação à população, desconsiderando o próprio partido; b) encarna a função do Estado minimizando qualquer regra ou instituição; c) fará tudo para desqualificar as instituições. Desta feita, o Lulismo encarnado na Jararaca empodera-se do PT transformando os seus atos em política de massa identificado muito mais com um movimento político sob as ordens de uma liderança carismática, como bem representa nesta conjuntura o ex-presidente Lula da Silva, do que sobre as ordens da Justiça e do regramento constitucional.

E O FUTURO: Depois de dois anos de trabalho a operação Lava Jato nos dá a impressão que chegou a conclusão que todos os caminhos da investigação levam ao Lula, que ele é o “chefe do bando” como qualificou o editorial do Estadão. Processo em curso e muito ainda por se fazer é possível que o “conservadorismo brasileiro” se retrate numa forma de acordo e que o radicalismo de Lula se traduza numa grande ação pactuada amparada numa Frente Parlamentar Unificada por um novo Brasil. Tal “pacto conservador” ainda não foi ensaiado pela incongruência do Poder Legislativo que mergulhado em denuncia opera no vermelho e de forma irresponsável, não pensa e formula uma Agenda Brasil capaz de chamar o Executivo e o próprio Judiciário para selar este Pacto o que pode ser feito de forma plebiscitária nos termos do Art. 14 da Constituição Federal, com o mesmo valor do sufrágio universal. O grande entrave é a falta de liderança moral e política capazes de operar este processo, o que deve ser feito também junto aos agentes produtivos e de articulação política capazes de formular ações convergentes que destrave a economia e crie as condições políticas objetivas para o crescimento seguido por uma Justiça distributiva tanto para o campo quanto para a cidade. Neste momento, o único poder constitucional operante é o Judiciário, o que é louvável para a Democracia. Mas não basta, é preciso pensar o todo na forma de Unidade na diversidade. Outra saída seria aliançar ações com os governadores como também já foi feito no passado, só que no presente até mesmo os governadores pouco ou nada representam no cenário político sem uma proposta nacional. Com a “prisão” de Lula esperava-se que a oposição se manifestasse convocando a Nação para o julgamento do Impeachment. No entanto, passou-se em branco e nada foi feito. Contudo, se aposta no acordar do gigante com o povo na rua capaz de pressionar o Congresso Nacional para que opere as mudanças necessárias relativas ao processo eleitoral, à economia, a democratização dos partidos, novos investimentos na indústria e a definição de criação de novos postos de trabalho e toda atenção voltada à melhoria das políticas públicas na perspectiva de assegurar dignidade a nossa gente com trabalho, pão e liberdade, como ocorreu no último domingo (13). O fato é que estas luzes só podem clarificar os caminhos quando se tem o sentimento de pertença de uma Nação. Os vícios são muitos, mas o que buscamos é uma Unidade Constitucional Programática amparada numa ampla consulta popular que receberá de início vários nomes, sobretudo, não esqueçam que mais importante do que o nome são as metas calçadas por suas estratégias objetivas que devemos definir para a reconstrução do Brasil. É um grande desafio que os Poderes Constituídos têm para reedificar um novo Brasil, contrário a isto é puro pesadelo é como se os fantasmas do passado emergissem do imaginário das trevas afrontando o nosso presente histórico, o tempo dirá. 

Roberto Brasil