O POLÍTICO E O TOCADOR DE OBRA

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Ademir-RamosEm seus Cadernos do Cárcere, Gramsci resgata o sentido da política orientado pela crítica do realismo político de Maquiavel, dialogando com Marx e, sobretudo com Lenin, na perspectiva de compreender o desenvolvimento do capitalismo na Itália a partir das condições objetivas locais visando à totalidade. Nestas circunstâncias, assim como Lenin, reafirma também a importância do Partido Político como instrumento revolucionário por ser, segundo ele, propositivo quanto à direção política, moral e ética.
A política é sem dúvida mediação estruturante capaz de promover a construção de uma determinada hegemonia a favor ou contra o instituído. É verdade que o Partido, neste contexto, perdeu força, espraiando-se no viés dos segmentos sociais muito mais focado no mercado das eleições e no patrimonialismo político do que na afirmação de um processo voltado para modernidade assentado no avanço das forças produtivas.

Contrário à totalidade é a política paroquial caracterizada pela prática da “hegemonia da pequena política” tal como faz o tocador de obra que concebe o mundo pela somatória das partes, particularizando as ações como um tarefeiro a cumprir ordem centrada no seu próprio eixo. Esta prática minimiza a política ao comportamento familiar, aos interesses particulares e aos valores corporativos, que em nome de uma tradição consuetudinária ou religiosa se afirma de forma enviesada como liderança carismática numa Forma de Governo Democrático.

Na Amazônia estes hábitos estão assentados nas relações pré-capitalistas tão bem definidos na prática do extrativismo, na questão fundiária do campo a contrastar com a questão urbana e com o desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo a incidir diretamente nos modos de pensar, agir e de governar de suas lideranças que ascende a direção do Estado e das estruturas de poder por meio de coligações partidárias oligárquicas nos moldes dos seringalistas, tornando-se prisioneiros das forças do passado marcado pela mesmice do que pela coragem e determinação histórica da modernidade, a formular novas respostas aos problemas situados, construindo pontes e mediações concebendo o possível e o impossível como bem nos ensinou Max Weber em sua “vocação política.” Em assim sendo, perdemos tempo e nos consumimos em questões miúdas como o bêbado perdido em seu próprio território para desgraça de todos.

Roberto Brasil