O ocaso de um político

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Antônio Cordeiro

Antônio Cordeiro

O ex-deputado Antonio do Nascimento Cordeiro foi um dos parlamentares mais controversos que passou pela Assembleia Legislava do Estado. Natural do município de Feijó (Acre), Cordeirinho ingressou no cenário político nas eleições de 1990, quando foi candidato do PMDB na coligação liderada pelo ex-governador Gilberto Mestrinho, eleito naquele ano para o terceiro mandato, ficando na segunda suplência.

Em 1991 por conta da engenharia política engendrada pelo ex-governador Gilberto Mestrinho, tirando da Assembleia o deputado titular e o primeiro suplente, Antônio Cordeiro assume mandato de deputado estadual.

De um início de mandato modesto, Cordeirinho como era chamado teve uma ascensão meteórica na política amazonense. A amizade que conquistou de Mestrinho e de sua esposa, Maria Emília serviu de ponte para que ele se destacasse, bem como a do empresário e ex-vice-governador de Mestrinho, Francisco Garcia, pai da atual superintendente da Suframa.

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Com seu linguajar peculiar abusando de gírias, em menos de um ano de mandato Antonio Cordeiro era o mais ferrenho defensor de Gilberto Mestrinho na Assembleia criando antagonismo com parlamentares da própria bancada e implacável com a diminuta oposição na Casa.

Uma das características de Cordeirinho era falar do seu sucesso empresarial. De uma infância pobre, de pouco estudos, ele gostava de contar que fora vendedor de porta em porta para depois se estabelecer como corretor de imóveis, proprietário de agência de viagens e outros negócios. Fazia questão de ostentar. Montou uma construtora para realizar obras para o governo, adquiriu franquias de marcas famosas no ramo de fast food. Gostava de fumar charutos cubanos caros, vestia-se com esmero com roupas e acessórios de grife. Adquiriu uma mansão com detalhes em mármore de carrara no Jardim das Américas um dos endereços mais caros de Manaus na década de 90.

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Já em 1992 na condição de parlamentar influente com livre acesso ao Governo do Estado, Cordeirinho se tornou poderoso sendo o principal interlocutor entre o Mestrinho, seu secretariado e os deputados estaduais, o que o fez como a figura mais influente no Poder

Legislativo.

Com o fim do mandato de Mestrinho em 1994, Cordeirinho se elegeu deputado estadual em 1994 (reeleito em 1998 e 2002) desembarcou no governo Amazonino Mendes em 1995 eleito para o segundo mandato, embora tivesse feito oposição ferrenha a Amazonino nas eleições de 1992, quando disputou e venceu a eleição para a Prefeitura de Manaus com Eduardo Braga, batendo a chapa Wilson Alecrim/José Cardoso Dutra, apoiados por Mestrinho e o então prefeito Artur Neto.

Já no governo de Amazonino (1995/2002), Cordeirinho atuou com mesmo ímpeto, apesar de o ex-governador em uma das primeiras reuniões de seu governo ser informado da influência que o ex-deputado exercia no governo Mestrinho, onde no último mês de mandato (dezembro de 1994), Cordeirinho dava expediente na Sefaz indicando quais os fornecedores deveriam receber.

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Além do Governo do Estado, Cordeirinho defendia interesses de algumas empresas do Polo Industrial de Manaus junto ao Governo do Estado.

Um exemplo disso ocorreu em outubro de 1999. O governador Amazonino Mendes havia meses antes enviado para Assembleia, projeto de Lei reformulando a política de isenção do ICMS para as empresas do Distrito.

No dia da votação, Cordeirinho que era presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia “desapareceu” do plenário. Após tentativas frustradas em localizá-lo, o líder do governo à época, Miquéias Fernandes foi orientado a colocar a matéria em votação mesmo sem o processo. Foi-lhe enviado uma cópia do projeto via fax e aprovado. Descobriu-se depois que Cordeirinho estava escondido no banheiro com o processo do projeto de Lei.

No governo Eduardo Braga iniciado em janeiro de 2003, Cordeirinho manteve o status quo como o parlamentar mais influente no governo, mas com uma postura bem mais discreta.

Sua derrocada começou em agosto de 2004 quando da operação Albatroz. Foi apontado como chefe de um esquema sob acusação de desviar mais de R$ 500 milhões dos cofres públicos através de licitações fraudulentas.

Nos mandados de busca e apreensão, Cordeirinho teve confiscado dinheiro em espécie e joias mais tarde devolvidas, além de ser preso com sua esposa à época.

Foi condenado a 36 anos de prisão. A única acusação que sobrou foi de evasão de divisas.

Com a operação que atingiu em cheio o núcleo político mais próximo de Eduardo Braga. Na Assembleia foi instaurado o processo de cassação, marcando assim o ocaso de Cordeirinho que não recebeu nenhuma solidariedade. A votação foi unânime talvez uma resposta a forma como vinha tratando seus pares.

Com os problemas na Justiça e familiares, o todo-poderoso Cordeirinho, o “homem da babita”, ficou só. Perdeu todos os bens passando a viver na miséria.

Nos últimos anos não lembrava nem de longe, o homem que gostava de mostrar sua situação financeira como inúmeros carros na garagem, viagens frequentes a Las Vegas (EUA) com a família e amigos, passeios de barcos regatos a uísque e vinhos caros.

Muito pelo contrário, sobrou um homem abandonado, padecendo de uma leucemia e Doença do Enxerto Contra Hospedeiro, esta última adquirida após um transplante de medula, morando em um quartinho de favor.

Eduardo Gomes

Jornalista – Reg. Prof. 14.444 – DRT/RJ

Mario Dantas